Blog do Diretório Zonal da Freguesia do Ó e Brasilândia do Partido dos Trabalhadores na Cidade de São Paulo - SP

quarta-feira, 17 de março de 2010

PDT OFERE APOIO A MERCADANTE, PEDE A VICE E REJEITA SKAF


Da Folha de São Paulo

Dirigentes do PDT reuniram-se ontem em São Paulo com o senador Aloizio Mercadante (PT) e ofereceram apoio formal da sigla à candidatura do petista ao governo do Estado em troca da vaga de vice na chapa. Expuseram ainda outra condição: que o PT não formalize nenhum acordo com Paulo Skaf (PSB), presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Os movimentos em torno da sucessão em São Paulo minam a pretensão de formar uma ampla coalizão em contraponto à candidatura do PSDB.
Devido aos sinais do deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) de que não será candidato nesta coalizão antitucanos, o PSB reconhece Skaf como pré-candidato. PT e PDT acham difícil uma composição com o empresário por conta dos elos das duas siglas com o sindicalismo.
"Colocamos como condição para essa aliança a vice ser do PDT", disse o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, que esteve ontem com Mercadante, acompanhado de José Gaspar, tesoureiro do PDT.
"Skaf seria muito ruim na chapa. A base do PDT é o sindicalismo. Eu não tenho como pedir voto para Skaf", disse.
"É inegável que o nome do Mercadante avançou muito nos últimos dias, mas nosso objetivo de formar um campo partidário unitário em São Paulo não se alterou. E ainda há debates no PT", afirmou o presidente do PT-SP, Edinho Silva.
O diálogo entre PT e PSB no Estado está estremecido por conta de críticas feitas por Ciro ao partido em entrevista à Folha. O PT paulista pediu retratação. Ontem, por meio de sua assessoria, o ex-ministro disse que não faria comentários. Skaf acompanha o presidente Lula na visita a Israel. Segundo seus assessores, ele não impõe sua candidatura à direção do PSB.

O TERREMOTO NO CENTRO DE SÃO PAULO


Texto publicado hoje na página "Tendências e Debates" da Folha de São Paulo.MARTA SUPLICY


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Fica claro nessa tragédia que se tornou o centro de São Paulo que ela é produzida por ação humana, pelo despreparo da atual gestão
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ESTES SÃO dias tristes, em que países do nosso continente vivem a tragédia que desastres da natureza podem impor a uma sociedade. Solidarizamo-nos da maneira mais intensa com nossos irmãos haitianos e chilenos, que precisam enfrentar enorme desafio para refazer seus mundos.
Mas é importante lembrar que São Paulo, nossa cidade, também vive momentos dramáticos e que afetam profundamente a muitos dos que aqui vivem, direta ou indiretamente.
E, para tornar essa situação ainda mais triste, o que vivemos aqui é consequência de ações e omissões humanas. Nosso desastre, diferentemente do que acontece no Haiti ou no Chile, foi criado aqui mesmo.
Como explicar que um universo estimado em aproximadamente 650 pessoas sem lugar nos abrigos em 2002 tenha se multiplicado e se transformado hoje em um mundo de cerca de 6.000 pessoas sem ter lugar para onde ir? São pessoas que vagueiam pelas ruas do centro, sob viadutos, expondo sua miséria diante de nossos olhos, onde quer que olhemos nessa São Paulo de 2010. Essas pessoas não são importantes por não terem renda, emprego, domicílio?
Quem, de fato, se preocupa com uma cidade, se preocupa com o todo, jamais só com as partes, em especial as mais privilegiadas. Por isso mesmo, uma cidade digna busca o bem comum, cria programas que igualem ou reduzam as desigualdades. Isso não se faz para alguns. Se faz porque todos vivem a cidade, todos precisam de uma cidade mais humana.
Não é assim que pensa a atual administração, e as consequências são desastrosas, mesmo que não haitianas -ainda.
Como explicar de outra maneira que a maravilhosa Oficina Boracea tenha sido desativada por quem hoje governa São Paulo? Numa área de 17 mil m2, eram atendidas 2.000 pessoas por dia: abrigo, refeição, telecentro, atendimento especial para idosos, oficinas profissionalizantes e até canil para os carroceiros. Sim, a prefeitura via os carroceiros como pessoas com direitos, e, como eles tinham cachorros e esses cachorros eram importantes para eles, o abrigo incluía canil. Quem pensa assim pensa no todo e no bem para todos. É isso o que vemos na cidade hoje?
Havia um conjunto de ações voltados à emancipação e à proteção de 490.401 famílias na cidade. O que vemos agora é que o Renda Mínima, que, somado a mais benefícios sociais (Bolsa Família, Bolsa Escola e Renda Cidadã), sem dupla contagem, atendia um universo de 323.792 famílias, hoje deixa de atender muitos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, 327.188 famílias pobres da cidade poderiam estar recebendo o benefício hoje. Mas só 169 mil famílias recebem. Motivo: a prefeitura não cadastrou as famílias pobres que teriam direito. Pior, deixou de atualizar o cadastro das que recebiam o benefício e, com isso, 65.300 famílias que recebiam o Bolsa Família tiveram o benefício cancelado.
Bolsa Trabalho e Começar de Novo foram extintos. Vemos o Bolsa Aluguel funcionando apenas por exigência do Ministério Público. Vemos CEUs deixando de ser construídos e com os sistemas de inclusão social para a comunidade reduzidos.
O que fica claro nessa tragédia que se tornou o centro de São Paulo é que ela é produzida por ação humana, pelo despreparo da gestão Serra-Kassab para o social. Como diz a pesquisadora Camila Giorgetti em reportagem desta Folha (1º/3), a inadequação dos programas sociais desenvolvidos atualmente pelo poder público é a principal causa do fenômeno do aumento de moradores de rua em SP.
O que afinal pretende quem desmantela bem-sucedidos programas sociais ou abandona um empréstimo de US$ 100 milhões do BID, que beneficiaria profundamente a cidade, permitindo a recuperação de vários prédios para habitação popular, a construção de dois piscinões, no centro, além do resgate de áreas degradadas? Em nome do que isso acontece, além da ganância, da especulação imobiliária e do pouco se importar com a situação dos que têm menos?
A lição que fica: a recuperação do centro de uma cidade implica soluções para os mais frágeis, criar habitação para todos os níveis sociais, utilizar com determinação e ousadia os recursos disponíveis para a melhoria da qualidade de vida dentro de projetos criativos e inovadores.
Os problemas do centro podem parecer localizados e de alguns, para alguns. Mas eles atingem a todos, independentemente de onde vivam, do que pensem, de em quem votem.
Diante da indignidade e do sofrimento de uns, sofrem todos os que pensam e sentem a cidade como algo vivo, para todas as pessoas. Em especial em uma cidade criada por todos, para todos, como essa nossa São Paulo.



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MARTA SUPLICY foi prefeita da cidade de São Paulo pelo PT (2001-2004) e ministra do Turismo (2007-2008).

PESQUISA CNI/IBOPE CONFIRMA CRESCIMENTO DE DILMA


Pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje mostra um crescimento na intenção de votos na ministra petista Dilma Roussef para a Presidência. Veja matéria da folha online.

YGOR SALLES
da Folha Online

Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira mostra que a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) subiu na disputa à Presidência e encostou no governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que ainda lidera.

A diferença entre os dois pré-candidatos caiu de 21 para cinco pontos percentuais. Em novembro, Serra tinha 38% e agora aparece com 35%. Já Dilma subiu de 17% para 30%.

Ciro Gomes (PSB) caiu de 13% para 11%, e Marina Silva (PV) manteve-se estável em 6%. Brancos e nulos somam 10% e não responderam, 8%.

Rejeição

Além de subir na pesquisa, Dilma ainda viu seu índice de rejeição despencar de 41% para 27%. A rejeição de Serra também recuou, de 27% para 25%.

A capacidade de crescimento da petista também pode ser vista pelo fato de 38% dos entrevistados não saberem quem será o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aécio

Num cenário em que o candidato do PSDB é o governador de Minas, Aécio Neves, Dilma lidera a disputa, pela primeira vez, com 34%, ultrapassando Ciro, que aparece com 21%.

Aécio tem 13% e Marina, 8%. Brancos e nulos somam 14% e 9% não souberam ou quiseram responder.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 6 e 10 de março, em 140 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

terça-feira, 16 de março de 2010

DILMA PODE IR A EVENTOS COM LULA MESMO APÓS DESINCOMPATIBILIZAÇÃO, DIZ AGU



GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A AGU (Advocacia Geral da União) apresentou nesta terça-feira a integrantes do governo federal uma cartilha com orientações a serem seguidas pelos agentes e servidores públicos no período eleitoral. A cartilha estabelece o que pode ou não ser realizado pelo presidente da República, ministros e outros servidores públicos federais até as eleições de outubro.

O advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, disse que o objetivo da cartilha é dar orientações de comportamento ao integrantes do governo, para que todos sigam a lei no período eleitoral. "A orientação parte do pressuposto de que todo mundo terá comportamento de acordo com a lei. É preciso deixar o mais claro possível quais são os limites", afirmou.

Segundo Adams, o presidente da República está autorizado a subir no palanque de candidatos fora do horário de seu expediente oficial. A cartilha, no entanto, não estabelece horários em que Lula pode atuar diretamente na campanha de sua candidata, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), ao Palácio do Planalto.

"O presidente deve acompanhar a orientação. É um agente público, por isso não lhe é negado o direito de cidadania de apoiar candidatos. Não há impedimento para que, fora do espaço em que exerce a Presidência, participe de atos políticos", disse Adams.

O advogado afirmou que Lula pode participar de atos de campanha mesmo em viagens oficiais, desde que isso ocorra fora do seu horário de trabalho. A única exceção vale para viagens em que Lula for participar exclusivamente de atos de campanha. Nesses casos, a despesa deve ser arcada pelo PT --seu partido.

"Se o presidente for se deslocar exclusivamente para um processo eleitoral, como num sábado, quem paga é o partido. Mas o horário em que não estiver na sua atividade de governo, pode participar de eventos. Ele pode usar momentos de folga para estar em eventos de campanha", explicou o advogado.

Adams disse que, antes de junho --quando serão oficializados os registros das candidaturas--, os ministros e outros entes da administração pública federal podem manter a rotina de trabalhos. "Nessas duas semanas até a desincompatibilização, os potenciais candidatos continuarão tendo o comportamento que já têm."

No caso da ministra Dilma, que tem que deixar o governo no dia 3 de abril para se tornar candidata (quanto termina o prazo de desincompatibilização), Adams disse que ela pode continuar sua participação em atos de governo até o registro da candidatura --já que entre abril e junho não terá nenhum cargo no Executivo, mas também ainda não será oficialmente candidata.

Internet

Entre as orientações da AGU para os ministros e servidores públicos está a proibição do uso de computadores ou celulares públicos para a realização de campanha eleitoral --mesmo que fora do horário de trabalho. Os ministros e outras autoridades estão autorizados a fazer campanha fora do expediente, mas não podem usar ferramentas do governo na campanha.

"A internet exige cautela do administrador. Ele não pode fazer campanha na internet usando um computador ou um celular público", disse Adams.

Anexada à cartilha, a AGU publicou resolução da Comissão de Ética Pública do governo federal com regras sobre a participação de autoridades públicas em eventos político-eleitorais.

Entre as recomendações da comissão está o pedido para que as autoridades evitem "expor publicamente divergências com outra autoridade administrativa federal ou criticar-lhe a honorabilidade e o desempenho funcional" --como ocorreu na divergência pública entre ministros na edição do Plano Nacional de direitos humanos do governo federal, no final de 2009.

Adams disse que, apesar das restrições, os ministros e o presidente Lula não estão impedidos de divulgar suas ações no período eleitoral. "Não é campanha falar da administração daquele ministério", afirmou.

O ministro apresentou hoje a cartilha a chefes de gabinetes nos ministérios. Adams terá outras cinco reuniões para mostrar o material, uma delas com o próprio presidente Lula e os ministros.

JUSTIÇA ELEITORAL DE SP IMPEDE PROPAGANDO DO PT COM MERCADANTE


da Folha Online

Depois de suspender ontem a veiculação de inserções de propaganda do PT paulista em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enaltecia a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) também tomou hoje a mesma decisão em relação à aparição do senador Aloízio Mercadante.

O desembargador Alceu Penteado Navarro, corregedor regional eleitoral do Estado, foi quem concedeu as duas liminares.

Segundo a liminar concedida hoje, a presença de Mercadante na propaganda do PT fere os limites da propaganda partidária gratuita por uma questão de promoção pessoal.

Na propaganda, Mercadante pede "uma chance" para o PT governar São Paulo após os 16 anos em que o Estado foi comandado pelo PSDB. Porém, o próprio Mercadante é uma das opções petistas para concorrer a este cargo.

Ontem, o desembargador acolheu a representação que questionava a citação de Dilma em uma das três peças que estão sendo veiculadas. Nela, Lula diz que Dilma é "mineira", mas tem "a cara e a alma" de São Paulo.

O PT tem a opção de substituir as peças. Caso não o faça ou não consiga reverter a liminar, a única peça que continuará a ser veiculada é a que é protagonizada pela ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy.

M BOI MIRIM PROTESTA CONTRA O PÉSSIMO TRANSPORTE DE KASSAB


SP-TV – Rede Globo

A manhã teve momentos de muita tensão na estrada do M’Boi Mirim, na zona sul da capital. Pelo segundo dia seguido, manifestantes fecharam a avenida nos dois sentidos em protesto contra as filas gigantescas que se formam todos os dias de manhã.

Desde a semana passada nós temos mostrado a dura situação das pessoas que dependem da estrada pra chegar ao trabalho. Hoje, a situação chegou ao limite.

O protesto começou pacífico, mas depois um ônibus furou o bloqueio e feriu uma pessoa. O ônibus foi depredado. Antes mesmo do protesto, a manhã já estava bem complicada na região.

Estrada do M’Boi Mirim, antes das seis horas da manhã. O horário de pico começa muito cedo. Nesta terça-feira, o congestionamento piorou ainda mais. Cansados de tanto esperar dentro dos ônibus, ou de andar a pé para tentar chegar ao trabalho na hora, os passageiros organizaram um protesto.

A estrada foi fechada no sentido centro. Atrás, a fila de ônibus, que costuma ser enorme, ficou gigantesca.

Dois quilômetros depois do ponto em que o protesto começou, a polícia organizou um desvio, os motoristas não conseguem seguir no sentido bairro, porque o protesto ocupa todas as pistas.

“Eu tô nesse ônibus há duas horas e vinte minutos”.

A polícia acompanhou tudo bem de perto, tentando liberar a estrada do M’Boi. Um ônibus deu meia-volta. A segurança no terminal do Jardim Ângela foi reforçada. Os policiais negociaram com os manifestantes.

Mas logo depois, um ônibus chega, fura o bloqueio e ainda atropela um manifestante. Um grupo de jovens parte para a agressão. O homem atropelado ficou machucado na perna. “Eu vinha na guia, ele entrou e fez a volta do ônibus. Quando o menino entrou, ele jogou o ônibus em cima do menino e me pegou na guia”.

Foi a segunda manhã seguida de protestos. Ontem os passageiros também fecharam o caminho para os ônibus e só a polícia conseguiu liberar a passagem.

Por e-mail, a Andréa Monteiro, da Cidade Ipava, perto da represa de Guarapiranga, contou que estava num ônibus que foi apedrejado no protesto de ontem (15). Ela diz que todo mundo ficou apavorado. Ela disse que não aguenta mais ter que sair de casa de madrugada e ainda chegar atrasada ao trabalho.

A queixa é comum: hoje, encontramos mais gente cansada. “A gente sai de casa quatro horas da manhã, para chegar no Ipiranga às 8 horas, eu não consigo chegar às oito”.

Uma situação terrível. Olha só o aperto que essas pessoas têm que enfrentar para chegar ao trabalho.

Essa avenida é muito importante para milhões de moradores de boa parte da zona sul da capital e de várias cidades da Grande São Paulo. Não pode ficar desse jeito.

É preciso ter uma solução. Uma avenida nova, a duplicação da M’Boi Mirim… Alguma coisa tem que ser feita logo.

E quem pode resolver o problema dessas pessoas? A produção do SPTV conversou com o superintendente de planejamento da SPTrans, Celso Lopes

TEATRO MUNICIPAL


Artigo de Fernando de Barros e Silva publicado no Jornal Folha de São Paulo sobre o descaso do governo Kassab com a limpeza da cidade, vale a pena ler:

FERNANDO DE BARROS E SILVA

SÃO PAULO - A São Paulo do prefeito Gilberto Kassab é uma cidade cenográfica. Uma cidade de mentirinha, que só existe por onde ele passa. Nela, as ruas são limpas, o asfalto não tem buracos, o mato dos canteiros está aparado, até a pintura do meio-fio é nova.
A mágica inclusive tem nome: "operação prefeito". É assim que assessores se referem ao esforço de maquiagem empreendido por equipes de limpeza e manutenção que são destacadas horas antes para locais que serão visitados por Kassab.
A Folha flagrou quatro "operações prefeito" nas últimas semanas -três na zona leste e uma na zona sul da cidade. Na última sexta, por exemplo, conforme reportagem publicada ontem pelo jornal, Kassab vistoriou às 10h30 obras de um viaduto no Tatuapé. Pouco antes das 9h, equipes de garis recolhiam às pressas lixo e entulho da calçada e do canteiro central. Com o seguinte detalhe: 200 metros abaixo ou acima, a cidade real -suja, descuidada- permanecia intacta.
Como o personagem do filme "The Truman Show", o prefeito poderia alegar ignorância da farsa que protagoniza. Seria até simpática a hipótese de que também seja vítima de seu próprio espetáculo. Mas isso obviamente não é verdade.
O teatro da gestão Kassab explica o que é "governo de fachada". Funcionários públicos (ou contratados com dinheiro público, tanto faz) são convocados a atuar a serviço do prefeito -e não da cidade. Executam de afogadilho, para fins promocionais do poder, tarefas comezinhas de manutenção que a rotina da administração não cumpre.
Não é apenas o trânsito que não funciona; não é só o IPTU que subiu; não são as enchentes que nos colocam diante do colapso da cidade -além (ou aquém) disso tudo, difunde-se a percepção de que São Paulo está sendo muito maltratada no seu dia a dia mais ordinário.
É triste e irônico. O mesmo prefeito que criou o Cidade Limpa -um marco histórico- precisa agora encenar até a limpeza da cidade que mal consegue governar.