Blog do Diretório Zonal da Freguesia do Ó e Brasilândia do Partido dos Trabalhadores na Cidade de São Paulo - SP

domingo, 25 de setembro de 2011

DZ FÓ/BRASILANDIA RECEBE A CARAVANA DO PT COM GRANDE PLENÁRIA



O Diretório Zonal do PT Fó/Brasilandia recebeu na tarde deste sábado(24) a "Caravana do PT" que o Diretório Municipal vem realizando em todas as regiões da cidade trazendo os 5 pré-candidatos que pretendem concorrer à prefeitura de São Paulo em 2012 para ouvir a militância, debater os problemas de cada bairro e ainda se apresentar como postulante á vaga de candidato do PT.
Num evento que contou com a presença de cerca de 500 pessoas, além de parlamentares, dirigentes e convidados os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, o senador Eduardo Suplicy e o Ministro da Educação Fernando Haddad puderam falar sobre a atual conjuntura política e eleições municipais. A senadora Marta Suplicy foi a única pré-candidata que não compareceu à plenária.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011



Adilson Sousa - Secretário Geral do PT/FÓ Brasilândia e um dos organizadores do Setembro Vermleho, Maria Cícera do Setorial de Saúde e o companheiro Jabes Campos idealizador da atividade.


Muita animação na 2º Carreata do Setembro Vermelho


Companheira Edileuza discursando no carro de som durante a realização da carreata Setembro Vermelho

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

PRESIDENTA DILMA SERÁ A 1º MULHER A ABRIR O DEBATE GERAL DA ASSEMBLÉIA GERAL DA ONU

Do Blog do Planalto


A presidenta Dilma Rousseff deverá cumprir agenda de trabalho em Nova York, Estados Unidos, nos próximos dias. Prevista para ocorrer entre 17 e 23 de setembro, a missão presidencial tem como objetivo a participação de Dilma Rousseff no debate geral da 66ª sessão da Assembleia Geral da ONU – onde será a primeira mulher a abrir o debate, tarefa que cabe tradicionalmente ao Brasil. Ainda nos EUA, a presidenta participará de eventos promovidos pelas Nações Unidas e instituições privadas e de encontros bilaterais com chefes de Estado e de Governo.

O anúncio foi feito pelo porta-voz da Presidência da República, Rodrigo Baena, em briefing concedido à imprensa no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (15/9). De acordo com Baena, a partida da comitiva presidencial em direção a Nova York deve ocorrer no próximo sábado (17/9), com chegada prevista para o domingo (18/9).

O primeiro evento de que Dilma Rousseff participa, na segunda-feira (19/9), é a abertura da Reunião de Alto Nível sobre Doenças Crônicas Não-Transmissíveis. Segundo Baena, a reunião pretende tratar da prevenção e do controle de doenças não-transmissíveis em todo o mundo, em especial dos países em desenvolvimento. Ainda na segunda, a presidenta marca presença no Colóquio de Alto Nível sobre Participação Política de Mulheres.

Na terça-feira, a presidenta Dilma mantém encontros bilaterais com os presidentes dos Estados Unidos da América, Barack Obama, e do México, Felipe Calderón. No mesmo dia, participa do lançamento da Parceria para o Governo Aberto, iniciativa multilateral que visa a assegurar os compromissos dos governos junto aos cidadãos. O último compromisso do dia é um jantar em que a presidenta recebe o Prêmio por Serviço Público, oferecido pelo Woodrow Wilson International Center for Scholars. A premiação é concedida a líderes que tenham trabalhado em prol do aprimoramento da qualidade de vida em seus países e fora deles.

O dia seguinte começa com audiência concedida ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e com a abertura do Debate Geral da 66ª Assembléia-Geral das Nações Unidas. Na parte da tarde, a presidenta participa de outros dois encontros bilaterais, com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e com o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

A missão presidencial termina com a participação de Dilma Rousseff em duas Reuniões de Alto Nível, no dia 22. A primeira é sobre Segurança Nuclear e tem como pano de fundo o acidente de Fukushima. O evento será voltado para discussões sobre como elevar o comprometimento político com o aprimoramento da segurança nuclear e sobre preparação contra desastres nucleares. A segunda reunião é sobre Diplomacia Preventiva. À noite, a comitiva presidencial parte para Brasília, com previsão de chegada para a manhã de sexta-feira (23/9).

terça-feira, 6 de setembro de 2011

MARTA INSISTE EM CANDIDATURA E PT DE SP APOSTA EM PRÉVIAS

PT prepara máquina para dar vitória a Haddad caso prévia seja inevitável
Autor(es): Iuri Pitta e Fernando Gallo,
O Estado de S. Paulo - 06/09/2011

Marta Suplicy, animada com liderança em pesquisa, diz que pré-candidatura "não esmoreceu"


A direção do PT paulistano aposta na realização de prévias para a escolha do partido, a despeito dos esforços do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para emplacar a candidatura consensual do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo. Com esse cenário, dirigentes já articulam nos bastidores o fortalecimento da corrente majoritária do PT nacional, a Construindo um Novo Brasil (CNB), para garantir a vitória de Haddad caso a disputa interna seja mesmo inevitável. A CNB, corrente de Lula, não repete, na capital paulista, a hegemonia nacional.

O campo majoritário vai fechar questão em favor da candidatura de Haddad no dia 19. No dia 12, tornará pública a adesão de petistas de outras correntes, entre eles o vereador Francisco Chagas, o deputado estadual José Zico Prado, e o ex-vereador Paulo Fiorillo. Com um volume expressivo de migrações, a CNB, que é a terceira força na capital, poderá assumir a liderança num processo de eleição interna.

"O cenário hoje é de prévia", previu o presidente do PT municipal, vereador Antonio Donato. Segundo ele, o nome do candidato do PT só deverá ser definido em 27 de novembro, data marcada para a disputa interna.

Força. "Não vejo a minha pré-candidatura esmorecer. Eu vejo minha candidatura forte", afirmou na segunda-feira, 5, a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy, embalada pelos resultados da pesquisa Datafolha divulgada na segunda, em que lidera todos os cenários. Os dados deram força à candidatura da petista, que havia dado sinais nas últimas semanas de que poderia desistir.

Numa eventual disputa com o ex-governador José Serra, Marta aparece na frente com 29%, ante 18% do tucano. Entre os entrevistados na sondagem, 59% acham a ex-prefeita a melhor candidata do PT, e outros 20% citam Haddad. O ministro aparece com apenas 1% ou 2% das intenções.

"Fui para o segundo turno em todas (as eleições municipais) que disputei. Perdi as duas últimas, mas são situações de conjuntura", disse a senadora, que coordenou ontem em São Paulo um seminário sobre as metrópoles no Brasil do século XXI, para o qual convidou dois oposicionistas, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido (PSDB).

Apesar da larga vantagem de Marta na pesquisa, a avaliação dos petistas é que ainda é muito cedo para fazer qualquer previsão. Além disso, 40% dos entrevistados disseram que votariam no candidato do ex-presidente Lula, o que daria expressiva vantagem a Haddad. Também pesa contra Marta o alto índice de rejeição, de 30%.

"A posição do Lula sempre influi, porque o Lula é o grande líder do partido. Mas a gente tem que deixar o processo acontecer. O processo é soberano, e a conjuntura determina", afirmou Marta, que disse que seu recall não é de participação em eleições, mas de "obras feitas na cidade", em uma indicação indireta de que seu principal oponente não tem o mesmo a mostrar.

"É uma característica do Lula pensar e propor ações. Ás vezes dão certo, às vezes não dão. É bom ter um líder que consegue propor ações que o partido pode aceitar ou não aceitar, mas é alguém que está sempre pensando. E que sempre está inovando, está tentando buscar soluções", disse a senadora.

Mercadante. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou na segunda-feira, 5, que está fora da disputa à Prefeitura. "Acho que vou ajudar mais o Brasil na condição de ministro, mesmo porque em São Paulo temos excelentes candidatos", disse Mercadante, após reunião de mais de três horas com os vereadores petistas na segunda. De acordo com ele, a presidente Dilma Rousseff lhe pediu para comunicar formalmente ao PT paulistano de que continuaria à frente do ministério.

"A presidente Dilma Rousseff pediu para que eu ficasse no governo porque considerava meu trabalho de excelente qualidade e que eu teria muito apoio neste ano que vai começar", relatou o ministro petista.

Mercadante contestou a preferência de Marta no PT e deu demonstrações de apoio à candidatura de Haddad. "Nas pesquisas, ela (Marta) é quem aparece melhor posicionada. Mas já houve eleições, no passado, em que quem saiu na frente não ganhou e, em que quem tinha uma posição inferior, na mesma etapa da pesquisa, ganhou a eleição."

Correntes. O campo majoritário (CNB) ficou em terceiro lugar no último Processo de Eleição Direta (PED) na capital, em novembro de 2009, com 23,1% dos votos. Com a vinda dos novos integrantes, os defensores da candidatura de Haddad - que é da Mensagem ao Partido (6,5% dos votos no PED) - tentam garantir à chapa cerca de 35% dos votos na prévia, e mostrar que podem ter mais força que a Novo Rumo, corrente que liderou as votações em 2009, com 36,6%

sábado, 3 de setembro de 2011

PT PROMOVE O SETEMBRO VERMELHO


foto da carreata pró Metrô (13/8/11)

O PT da Fó/Brasilândia tirou como encaminhamento na sua reunião ordinária deste sábado(3) intensificar suas ações de protestos contra o governo tucano/Dem neste mês de setembro.
Chamado de “Setembro Vermelho”, as carreatas que acontecerão nos dias 10 e 17 terão como estratégia denúnciar a má gestão do prefeito Gilberto Kassab e do governador Alckmin nas áreas de saúde, educação, transporte e mobilidade urbana, moradia, além de reforçar sua indignação com a paralisação das obras do metrô linha 6 – Laranja.
Os petistas usarão esses protestos para se aproximar dos bairros de Brasilândia e Freguesia do Ó, e assim, facilitar o diálogo com os filiados, chamar a atenção da população para os problemas regionais e ainda fazer a disputa política com o PSDB local.
No dia 24 de setembro haverá a Caravana do PT na Brasilandia com a presença da executiva municipal do partido e dos cinco pré-candidatos a prefeito, o Ministro da Educação Fernando Haddad, a Senadora Marta Suplicy, o Senador Suplicy e os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zaratinni.
Participe do Setembro Vermelho do PT da Fó/Brasilandia.

ÍNTEGRA DO DISCURSO DO PRESIDENTE DO PT, RUI FALCÃO



Rui Falcão na abertura do 4. Congresso Extraordinário do PT Segue abaixo a transcrição do discurso de Rui Falcão. O mais breve possível disponibilizaremos também os vídeos de Dilma e Lula.


Companheiros(as),

Abaixo, o discurso de saudação do presidente Rui Falcão na abertura do 4. Congresso Extraordinário do PT.

Companheiros e companheiras,

Quero saudar todos os delegados e delegadas presentes ao nosso 4o. Congresso. Vocês representam, na diversidade da juventude, das mulheres, dos negros, dos indígenas, da comunidade LGBT, toda a nossa aguerrida militância, a quem vi de perto nas 25 capitais onde estive em caravana nas últimas semanas, ao lado de membros da Direção Nacional. Lá, constatei a força e a vitalidade da militância, que sempre fez a diferença na história do PT. Em cada canto do País, estivemos presentes para expressar o caráter nacional do nosso partido. Para colher, ao vivo, informações sobre a realidade político-eleitoral de cada Estado. E, principalmente, para estreitar os laços entre direção e base – este vínculo permanente que constitui e revigora os partidos de tradição socialista e democrática.

O entusiasmo, a mobilização e o otimismo nas plenárias de que participamos são um prenúncio de que, em 2012, estaremos preparados para a grande batalha das eleições municipais. A tática eleitoral e a política de alianças para o próximo pleito integram o documento político que será debatido amanhã.

Quero congratular-me com as lideranças petistas dos movimentos sociais, em nome do Artur Henrique, presidente nacional da CUT, cuja luta em defesa dos trabalhadores tem propiciado tantas conquistas e tem contribuído para importantes mudanças na vida nacional. Reitero aqui a nossa intenção de caminharmos juntos, PT e movimentos sociais, com bandeiras e agendas comuns, respeitada a autonomia de cada organização.

Cumprimento com deferência todas as delegações dos partidos amigos de países de todos os continentes, que aqui vieram para nos prestigiar, expressar sua solidariedade e reforçar, na melhor tradição internacionalista, a parceria nas lutas por um mundo melhor.

Estão hoje conosco alguns dos ex-presidentes do Partido dos Trabalhadores, cuja contribuição, cada um a seu tempo, concorreu para que nosso partido —e também o País – se tornassem referência mundial nos processos de avanço democrático e mudanças sociais. Em nome de todos eles, quero pedir uma salva de palmas ao companheiro José Eduardo Dutra, a quem tive a honra de suceder.

Companheiros e companheiras do Diretório Nacional, aqui representados no palco pelos membros da Comissão Executiva Nacional: repousa sobre nossos ombros a responsabilidade de conduzir o PT, este partido com 32% de preferência nacional e que governa o Brasil pela terceira vez consecutiva. Confio em que, exercitando a direção coletiva, possamos manter unido o PT, a fim de vencer os desafios do momento atual.

Entre os imensos desafios que se nos apresentam, a aprovação da reforma político-eleitoral é, sem dúvida, o mais urgente e relevante. Uma reforma que, mantido o sistema do voto proporcional e ampliadas as possibilidades de participação popular, institua o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais e o voto em lista. O financiamento privado e o voto em pessoas são características antidemocráticas do sistema atual. Eles abrem um imenso fosso entre a presença social do povo e sua expressão política, em especial das mulheres (apesar da conquista histórica da primeira mulher presidenta do Brasil).

Ao falar da reforma política, cuja campanha o PT já desencadeou e dialoga com diferentes atores políticos e sociais para viabilizá-la, não poderia deixar de reconhecer o trabalho aplicado e a competência de nossas Bancadas na Câmara e no Senado, sob a liderança dos companheiros Paulo Teixeira e Humberto Costa. E, sobretudo, a perseverança incansável do companheiro Henrique Fontana, relator da Comissão da Reforma na Câmara dos Deputados e de todos os membros da Comissão Especial.

Caros presidente Lula e presidenta Dilma, cujo legado de realizações ao Brasil orgulha a toda a militância petista, a toda a esquerda e a todo o nosso povo. Nunca antes neste país se fez e se está fazendo tanto em tão pouco tempo.

Companheira Dilma, o PT participa, apóia e sustenta as políticas do nosso governo, para que o Brasil prossiga na construção de outro modelo de desenvolvimento, socialmente inclusivo, regionalmente integrado, tecnologicamente avançado e ambientalmente sustentado. Tal modelo implica forjar condições para reformas estruturais, articuladas ao aprofundamento da democracia e da criação de uma nova sociedade.

Companheiros e companheiras governadores, prefeitos, parlamentares, representantes de partidos aliados, autoridades presentes, meus senhores e minhas senhoras

Como é de conhecimento geral, a pauta do nosso Congresso abordará dois temas de extrema relevância. O primeiro tratará da atualização do nosso Estatuto, a fim de torná-lo ainda mais democrático e mais compatível com as mudanças que o PT e o Brasil conheceram nestes 31 anos de nossa existência. Vale ressaltar que o PT é dos poucos partidos a debaterem publicamente, sem controles ou injunções da direção, normas que regem a vida da agremiação.

Concluídos os trabalhos da nossa “Estatuinte”, poderemos anunciar o lançamento de uma nova campanha de filiação, cujo objetivo será o de acolher os milhares de simpatizantes que votam no PT, que nos têm como referência, que apóiam os nossos governos, mas que ainda não estão integrados organicamente nem participam das atividades partidárias.

O 4º. Congresso deverá, também, aprovar uma resolução política, que analisa a conjuntura nacional e internacional; que faz um balanço dos governos Lula e Dilma; que enumera os desafios que temos a vencer; e define uma agenda própria para o PT, a qual não se contrapõe nem concorre com os projetos do nosso governo, um governo de coalizão de forças políticas e sociais diferenciadas.

Em sucessivos documentos, nosso partido, ao apoiar a política econômica do governo, aponta a necessidade de enfrentar o problema dos juros e do câmbio com medidas mais ousadas. Por isso, aplaudimos a recente decisão do Banco Central, augurando ao mesmo tempo que a tendência não reverta, a fim de que se possa chegar ao final do primeiro mandato da companheira Dilma com taxas que desestimulem a especulação financeira.

A maneira como os nossos governos vêm se contrapondo aos efeitos da crise global, discrepa daquela que se pratica na Europa e nos Estados Unidos, de corte dos gastos e desemprego, para salvar o capital.

De forma ainda mais enfática, apoiamos incondicionalmente o combate sem trégua à corrupção travado pelos nossos governos. O enfrentamento da corrupção é um compromisso inarredável do PT, que há de ser honrado sem desconstituir o Estado Democrático de Direito ou sonegar as garantias individuais. Sem esvaziar a política ou demonizar os partidos, sem transferir, acriticamente, para setores da mídia que se erigem em juízes da moralidade, uma responsabilidade que é pública, a ser compartilhada por todos os cidadãos.

O combate à corrupção, para além de tudo o que se fez sob o governo Lula e se faz agora sob o comando da presidenta Dilma, exige medidas abrangentes, cujo núcleo reside na reforma política e na reforma do Estado, ambas tratadas em profundidade no texto-base da Comissão Executiva Nacional que se encontra na pasta dos delegados e delegadas.

Para concluir, quero mencionar dois temas da agenda petista que reputo de importância capital: o da democratização dos meios de comunicação e uma campanha pública pela aprovação de leis cidadãs, com o concurso de iniciativas populares, proposições congressuais e do próprio Executivo.

Entre as nossas convicções mais arraigadas, inscritas como princípios em nosso ideário, a livre expressão de pensamento, o direito de opinião, a liberdade de imprensa e o repúdio a todas as formas de censura são valores fundamentais. Mas o jornalismo marrom de certos veículos, que às vezes flerta com práticas ilegais, deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar.

A inexistência de uma Lei de Imprensa, a não regulamentação de artigos da Constituição que tratam da propriedade cruzada de meios, o domínio midiático por alguns poucos grupos econômicos tolhem a democracia e criam um clima de imposição de uma única versão para o Brasil. E a crescente partidarização, a parcialidade, a afronta aos fatos preocupam a todos os que lutam por meios de comunicação que sejam efetivamente democráticos. Por tudo isso, o PT luta para votar e aprovar, no Congresso Nacional, um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no País.

Companheiros e companheiras,

São muitos os desafios e inúmeras as tarefas. Cumprí-las exigirá de nós criatividade ideológica, força político-social, clareza estratégica e, sobretudo, interação constante com a militância, que não deve ser convocada apenas nas campanhas eleitorais, mas também para traçar e decidir os rumos do nosso partido. Vamos à luta, e até a vitória!


Viva a militância

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

PT REALIZA IV CONGRESSO NACIONAL UNIDO E SEM DISPOSIÇÃO PARA BRIGAS

Da agência "Carta Maior"


Amplamente dominado por uma aliança das duas maiores correntes internas, PT realiza seu IV Congresso Nacional, em 31 anos, em clima festivo e sem espaço para grandes disputas internas. Decisões recentes do governo, de cortar juros e propor aumento robusto do salário mínimo, aproximam PT de Dilma Rousseff e ajudam a evitar conflitos que poderiam ser explorados por adversários políticos.
Maria Inês Nassif

SÃO PAULO - Mais do que produzir grandes manchetes, o IV Congresso Nacional do PT, que o partido realiza em Brasília no fim de semana, deve de revelar uma grande festa, repleta de delegações internacionais. Não há grande interesse de expor divergências partidárias para ao grande público durante o encontro dos 1,3 mil delegados.

Com o partido dominado por uma aliança entre as duas maiores facções - Construindo um Novo Brasil (CNB) e Mensagem ao Partido -, o Congresso deverá ter como grande marco decisório, de fato, a plenária nacional da CNB, que se reúne nesta sexta-feira (02/09) a partir das 10h. “Há uma desproporporção do grupão formado pelo CNB e pela Mensagem”, reconhece um dos integrantes da primeira.

Os setores mais à esquerda deixaram o partido no passado e constituíram o PSTU e o PSol. Um dos pequenos grupos remanescentes, a Articulação de Esquerda, cuja maior liderança era Valter Pomar, rachou há cerca de um mês. Metade seguiu para o campo majoritário. Pomar permaneceu no antigo grupo, menor do que já era.

Qualquer decisão tomada na plenária da CNB ditará, portanto, os rumos do Congresso geral. E mostrará para aonde se inclinará a maioria dos 1350 delegados do partido, eleitos no último Processo de Eleição Direta (PED), em 2009.

Ao contrário do que se poderia supor, o governo da presidenta Dilma Rousseff, que não tinha uma grande militância no partido antes de ser eleita, caminhou articuladamente com o PT, às vésperas do Congresso.

Em geral, o partido não quer fazer barulho, mas considera importante se “politizar” novamente, assumir uma agenda própria, inclusive para exercer o papel de convencimento da sociedade quando os temas de ordem institucional provocarem controvérsia, de forma a adquirir força, de fora para dentro, na contenda com seus aliados no Congresso.

Uma abertura para convivência com movimentos sociais, que acabaram sendo alijados do partido no processo de negociação com aliados de esquerda. Dois temas discutidos previamente foram assumidos pelo governo antes que fossem oficializados pelo Congresso do PT: a queda de juros pelo Banco Central, e sinalização de baixa futura mais consistente, e o aumento do salário mínimo. A antecipação desses dois movimentos vai ter o poder de transformar em afinidade, o que a imprensa poderia interpretar como conflito.

“O PT e o governo não têm conflito. O que vem sendo implementado pelo governo Dilma vem ao encontro de um governo do PT. O PT está no governo e o governo está bem. Agora, com a inflexão dos juros, a afinidade ainda é maior”, afirma o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

“Estamos tranquilos. Em primeiro lugar, porque tomamos juízo. Em segundo, porque adquirimos maturidade. Em terceiro, porque somos o principal partido da base do governo e o mundo endoidou. Precisamos preservar o governo para enfrentar essa crise mundial", diz o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP). "É evidente que há críticas pontuais à condução do governo, mas no geral o PT vem respondendo a esses desafios com uma unidade muito grande, enquanto os outros partidos da base estão se dividindo."

“O PT não tem grandes divergências internas. Está em nova fase. As tendências estão com fogo baixo”, afirma o ex-deputado José Genoíno, hoje assessor do Ministério da Defesa. Para Genoíno, o partido também teve um aprendizado de governo. “Sem alianças o PT não ganha eleição, nem governa”.

Outro fator de “estabilização” nas relações entre partido e governo, curiosamente, foi a ascensão do paulista Rui Falcão à presidência do partido, em substituição ao presidente eleito pelo PED, o sergipano José Eduardo Dutra.

A vitória de Dutra tinha acontecido num momento em que a hegemonia paulista era bastante discutida internamente, também pela desproporção entre o crescimento do PT nos outros estados e a participação nos órgãos de direção partidária. Com o afastamento de Dutra, ascendeu de novo um paulista.

O antipaulistismo, todavia, vem sendo controlado por um esforço de Falcão. Ele tem participado de debates políticos em todos os estados (só falta visitar duas unidades da Federação nessa “caravana” partidária). E trânsito simultâneo no governo e em todo o partido.

Falcão tem ligações antigas com a presidenta da República, e uma militância partidária que remonta às origens do PT – além de contar com a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que entra em cena para dirimir conflitos ou problemas de estratégia.

Como está ligado diretamente à burocracia do partido, e como é mais formal, conseguiu criar uma relação mais institucional com o governo. Fala de partido para governo. “O Dutra era muito desorganizado e muito informal”, diz um parlamentar do partido.


sábado, 27 de agosto de 2011

REPÓRTER DA VEJA É FLAGRADO EM ATIVIDADE CRIMINOSA CONTRA JOSÉ DIRCEU


Ex-ministro José Dirceu Ex-ministro denunciou em seu blog a ação criminosa da revista


Denúncia publicada por José Dirceu em seu blog nesta sexta-feira (26):

Repórter da revista Veja é flagrado em atividade criminosa contra mim

Depois de abandonar todos os critérios jornalísticos, a revista Veja, por meio de um de seus repórteres, também abriu mão da legalidade e, numa prática criminosa, tentou invadir o apartamento no qual costumeiramente me hospedo em um hotel de Brasília.

O ardil começou na tarde dessa quarta-feira (24), quando o jornalista Gustavo Nogueira Ribeiro, repórter da revista, se registrou na suíte 1607 do Hotel Nahoum, ao lado do quarto que tenho reservado. Alojado, sentiu-se à vontade para planejar seu próximo passo. Aproximou-se de uma camareira e, alegando estar hospedado no meu apartamento, simulou que havia perdido as chaves e pediu que a funcionária abrisse a porta.

O repórter não contava com a presteza da camareira, que não só resistiu às pressões como, imediatamente, informou à direção do hotel sobre a tentativa de invasão. Desmascarado, o infrator saiu às pressas do estabelecimento, sem fazer check out e dando calote na diária devida, ainda por cima. O hotel registrou a tentativa de violação de domicílio em boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial.

A revista não parou por aí.

O jornalista voltou à carga. Fez-se passar por assessor da Prefeitura de Varginha, insistindo em deixar no meu quarto “documentos relevantes”. Disse que se chamava Roberto, mas utilizou o mesmo número de celular que constava da ficha de entrada que preencheu com seu verdadeiro nome. O golpe não funcionou porque minha assessoria estranhou o contato e não recebeu os tais “documentos”.

Os procedimentos da Veja se assemelham a escândalo recentemente denunciado na Inglaterra. O tablóide News of the World tinha como prática para apuração de notícias fazer escutas telefônicas ilegais. O jornal acabou fechado, seus proprietários respondem a processo, jornalistas foram demitidos e presos.

No meio da tarde da quinta-feira, depois de toda a movimentação criminosa do repórter Ribeiro para invadir meu apartamento, outro repórter da revista Veja entrou em contato com o argumento de estar apurando informações para uma reportagem sobre minhas atividades em Brasília.

Invasão de privacidade

O jornalista Daniel Pereira se achou no direito de invadir minha privacidade e meu direito de encontrar com quem quiser e, com a pauta pronta e manipulada, encaminhou perguntas por e-mail já em forma de respostas para praticar, mais uma vez, o antijornalismo e criar um factóide. Pereira fez três perguntas:

1 – Quando está em Brasília, o ex-ministro José Dirceu recebe agentes públicos – ministros, parlamentares, dirigentes de estatais – num hotel. Sobre o que conversam? Demandas empresariais? Votações no Congresso? Articulações políticas?

2 – Geralmente, de quem parte o convite para o encontro – do ex-ministro ou dos interlocutores?

3 – Com quais ministros do governo Dilma o ex-ministro José Dirceu conversou de forma reservada no hotel? Qual o assunto da conversa?

Preparação de uma farsa

Soube, por diversas fontes, que outras pessoas ligadas ao PT e ao governo foram procuradas e questionadas sobre suas relações comigo. Está evidente a preparação de uma farsa, incluindo recurso à ilegalidade, para novo ataque da revista contra minha honra e meus direitos.

Deixei o governo, não sou mais parlamentar. Sou cidadão brasileiro, militante político e dirigente partidário. Essas atribuições me concedem o dever e a legitimidade de receber companheiros e amigos, ocupem ou não cargos públicos, onde quer que seja, sem precisar dar satisfações à Veja acerca de minhas atividades. Essa revista notoriamente se transformou em um antro de práticas antidemocráticas, a serviço das forças conservadoras mais venais.

domingo, 21 de agosto de 2011

PETISTAS AVALIAM QUE MARTA DESISTIU DA PREFEITURA DE SP

Do Portal Vermelho


Líderes do PT paulistano acreditam que a senadora Marta Suplicy vai se retirar da disputa pela candidatura à Prefeitura de São Paulo. Rumores de uma desistência ganharam força após encontro da senadora com a presidente Dilma Rousseff, na última quinta-feira (18).

Segundo relatos, Dilma teria emitido sinais de que, assim como o seu antecessor, Lula, apoiará o ministro Fernando Haddad (Educação), na disputa interna pela candidatura.

Os boatos sobre a possível saída de Marta da disputa começaram quando o namorado da senadora, Márcio Toledo, disse a um integrante do partido que ela estaria propensa a renunciar à pré-candidatura em favor de Haddad.

As especulações ganharam mais corpo ontem, após notas publicadas pelo jornal "O Globo" e pela revista "Época" darem como certa a renúncia de Marta à disputa.

Nos últimos dias, Marta faltou a duas caravanas organizadas pelo partido para mobilizar militantes em bairros da capital. No PT, a ausência foi interpretada como sinal de que sua candidatura está cambaleando.

Além disso, ela cancelou uma atividade com 44 entidades do movimento pela moradia na Vila Brasilândia, no sábado. A assessoria de imprensa de Marta negou que ela tenha deixado a disputa, reafirmou a pré-candidatura e atribuiu a ausência nas caravanas a "problemas pessoais".

A predileção do ex-presidente por Haddad levou Marta ao isolamento no partido.

Na bancada de vereadores do PT, três já manifestaram apoio a Haddad e outros quatro pendem para o lado do ministro. O deputado federal Jilmar Tatto, que figura na disputa interna, também tem três apoiadores. Ninguém se manifestou a favor de Marta.

Ela conversará com Lula nesta segunda (22). Muitos apostam que só após esse encontro assumirá a desistência.

Com agências

sábado, 20 de agosto de 2011

UM INTELECTUAL EM BUSCA DE POVO



O ministro Fernando Haddad, pré-candidato de Lula à Prefeitura de São Paulo, está em campanha por votos

Octávio Costa e Pedro Marcondes de Moura – ISTOÉ


Intelectual marxista com trânsito no meio acadêmico, o ministro da Educação, Fernando Haddad, prepara-se para enfrentar um desafio árduo. Lançado pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma na corrida para a Prefeitura de São Paulo, terá de arregaçar as mangas e pedir votos ao objeto de seus estudos: o povo. Num primeiro momento, seu alvo será mais limitado. Até dezembro, Haddad se esforçará para convencer a militância petista de que, apesar da inexperiência política, seu nome é o melhor que o PT pode apresentar aos eleitores. “Estou tranquilo. Acho que São Paulo ainda não se beneficiou dos avanços que o Brasil conquistou nos mandatos de Lula. Esse será o foco de minha campanha”, explicou Haddad à ISTOÉ. “Minha candidatura não nasceu ao acaso. Represento a renovação.”

Apesar da agenda repleta de compromissos oficiais, Haddad já está em campanha. Na sexta-feira 2, reuniu em seu apartamento, em São Paulo, mais de 30 colegas da USP, entre eles Marilena Chauí, Maria Rita Kehl, André Singer e Eugênio Bucci para apresentar o seu projeto político. Na terça-feira 16, depois de uma solenidade no Palácio do Planalto, ao lado da presidente Dilma, quando anunciou a expansão das universidades federais e das escolas técnicas, Haddad voltou a São Paulo para participar de um evento na Faculdade de Direito da USP. O ministro recebeu tratamento cordial no mesmo espaço em que a senadora Marta Suplicy, sua principal concorrente à indicação do PT, foi hostilizada em 2003 – quando alunos lhe atiraram uma galinha preta.

Haddad também vem percorrendo a capital paulista junto com os demais pré-candidatos do PT: Marta, Eduardo Suplicy, Gilmar Tato e Carlos Zarattini. Habituado aos círculos mais elitistas de São Paulo e Brasília, o ministro já esteve em três bairros carentes da zona leste. Recebida por militantes, a comitiva petista ouve relatos de moradores sobre problemas urbanos. Depois, cada um dos pré-candidatos faz exposições de até dez minutos. Haddad afirma que tem se saído bem com os eleitores. Mas admite que, se for o escolhido pelo PT, sua tarefa será bem mais complexa. “É fácil pedir votos para outros. Duro é dizer vote em mim”, confessa o ministro.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ATO NO DIA INTERNACIONAL DA JUVENTUDE - 12 DE AGOSTO



ATO NO DIA INTERNACIONAL DA JUVENTUDE – 12 DE AGOSTO





9h – Debate: “Juventude e Violência Urbana”

Palestrante: Beto Teoria (Nação Hip Hop Brasil) - Representante da Educafro

Local: Sindicato dos Bancários de São Paulo




12h - Almoço




13h – Concentração na Praça do Patriarca

14h – Saída em passeata até a Praça da República

16h – Ato na Praça da República



Vamos mobilizar a juventude...Vamos para as ruas!!!


Saudações Cutistas juvenis!!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PT LANÇA FRENTE PRÓ UNIVERSIDADE PÚBLICA



O PT da Fó/Brasilândia lançou no último sábado (6) a Frente Pró Universidade Pública num ato que reuniu 60 pessoas entre lideranças, políticos e personalidades locais.
Nele foi lido uma moção onde o partido e seus aliados reivindicam a construção de uma universidade pública na região Norte/Noroeste e propõe a construção coletiva de uma carta aberta para ser entregue ao Ministro da Educação Fernando Haddad que estará na Brasilândia no próximo dia 20.
As reuniões da Frente Pró Universidade Pública acontecerão na sede do Diretório Zonal do PT Fó/Brasilandia em datas a serem divulgadas. Os interessados em participar podem se inscrever pelo email: secretariageral@dzfobrasilandia.com

terça-feira, 9 de agosto de 2011

CONSENSO É TÃO LEGÍTIMO QUANTO PRÉVIAS

Do site dmptsp

Seg, 08 de Agosto de 2011 12:20

No último dia 5, o Partido dos Trabalhadores deu início a uma série de debates na cidade de São Paulo com os filiados nos 36 Diretórios Zonais, tendo em vista a eleição de 2012. Uma oportunidade ímpar para discutirmos alternativas para os graves problemas que afetam o município nas áreas de mobilidade urbana, habitação, educação, saúde e meio ambiente.

É o momento para deixarmos claro que o PT se opõe de forma contundente à administração do prefeito Kassab e que é possível, sim, buscar soluções para construirmos uma cidade melhor. Mas não basta ser oposição. É necessário apresentar um projeto alternativo, sintonizado com os novos tempos gerados pelo crescimento do Brasil nos últimos anos.

Nossa cidade precisa aproveitar todas as possibilidades proporcionadas pelo governo federal, o que os prefeitos Serra e Kassab, por mera disputa política, deixaram de aproveitar durante o governo do presidente Lula e agora com a presidenta Dilma Rousseff.

São Paulo precisa enfrentar seus graves e tradicionais problemas tendo como referência um novo modelo de cidade.
Uma cidade criativa, que prepare a juventude paulistana para ocupar o mercado de trabalho surgido com a nova economia do conhecimento e cujo motor é a inovação tecnológica; uma cidade democrática, que estimule a cidadania participativa; uma cidade mais justa e equilibrada socialmente.

Enfim, uma cidade que cresça com sustentabilidade ambiental, oferecendo emprego, conforto e segurança aos seus moradores.

Mas devemos olhar para essa São Paulo do futuro sem perder de vista as características de cada região da cidade, a partir dos diagnósticos e das propostas apresentados por nossos militantes, pela população e pelos movimentos sociais que atuam nos bairros.

Participam das caravanas todos os pré-candidatos do PT à Prefeitura de São Paulo, para que possamos, coletivamente, construir nossas propostas, programa e tática eleitoral para a disputa de 2012.

O PT tem o privilégio de possuir quadros tão preparados, experientes e compromissados com a cidade que se dispõem a colocar seus nomes à disposição do partido para disputar as eleições.

A responsabilidade da direção partidária é a busca do consenso, de um nome construído no debate com toda a militância e com todos os pré-candidatos.

É o nosso desejo e temos a sensibilidade de perceber que é, também, o da maioria dos militantes. Mas se por força das circunstâncias não conseguirmos avançar na definição de um nome comum, o partido realizará, sim, prévias.

De forma democrática, no debate de ideias e do melhor perfil para disputar a prefeitura, como tem sido na história do PT.
Reafirmamos que esse, no entanto, não é o único caminho. Tão legítima quanto as prévias é a busca do consenso. A única certeza é que, ao final do processo, o PT continuará unido, a militância, entusiasmada, e todos os que hoje são pré-candidatos se somarão ao esforço para construirmos uma São Paulo melhor para todos os paulistanos.



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Antonio Donato é vereador de São Paulo pelo PT e presidente do Diretório Municipal de São Paulo do partido.

Chico Macena é vereador de São Paulo pelo PT e secretário de comunicação do Diretório Municipal de São Paulo do partido. Esse artigo foi publicado originalmente na Folha de S. Paulo de 8 de agosto de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

HADDAD E MARTA SAEM EM BUSCA DE APOIO NA PERIFERIA DE SP

Autor(es): Cristiane Agostine e Luciano Máximo | De São Paulo
Valor Econômico - 03/08/2011



Com a movimentação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazer do ministro da Educação, Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy aposta no apoio de militantes da periferia paulistana para manter-se na disputa. No fim de semana, a ex-prefeita reforçará sua pré-campanha na zona leste, região com 35% da população. Já Haddad iniciará encontros com políticos, religiosos e movimentos sociais, no sábado e domingo. O ministro e a senadora poderão dividir o mesmo palanque em eventos do PT.

Marta participará de debates sobre a eleição municipal de 2012. As caravanas, como o PT denomina os encontros com militantes, serão no Tatuapé, São Miguel Paulista e Sapopemba. Serão 36 caravanas na cidade até o fim de outubro.

Haddad ficará sexta, sábado e domingo na capital e poderá participar das caravanas, segundo seus interlocutores. O presidente do PT municipal, vereador Antonio Donato, no entanto, disse não ter sido informado se o ministro irá aos encontros. Entre os eventos previstos para Haddad está uma reunião com o bispo dom Milton Kenan Júnior, de Brasilândia, na zona norte.

Apesar da movimentação de Haddad, há resistências no PT sobre essa candidatura. O presidente do diretório municipal disse não ter sido procurado pelo ministro para discutir a eleição de 2012. "Ele nunca me procurou para falar da intenção de se candidatar, nunca conversamos sobre isso. Tem muita coisa na imprensa, mas nada de concreto no PT", disse Donato.

Outros pré-candidatos do partido também intensificaram as conversas dentro do PT. Os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini e o senador Eduardo Suplicy devem participar das caravanas. Já o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, não confirmou se irá aos eventos.

Apesar da presença dos pré-candidatos nas reuniões, o presidente do PT municipal afasta a possibilidade de as caravanas se transformarem em debates entre os postulantes. "Será uma grande plenária com a militância, para debater os problemas dos bairros. Eles terão direito à palavra, mas não será um debate entre eles", disse Donato.

O dirigente disse que o partido não pretende realizar prévias para escolher o candidato. "A direção está fazendo um esforço para ter consenso em torno de um nome", disse. "Se não houver, não tem drama, faremos a prévia. O resto é especulação", disse. Segundo Donato, o PT definirá o nome neste ano.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

PARTICIPE DA FRENTE PRÓ-UNIVERSIDADE PÚBLICA

Diretório Zonal da Freguesia do Ó Brasilandia cria Frente pró-universidade Publica


Em reunião da executiva ampliada do diretório Zonal Freguesia do Ó e Brasilandia debatemos um pouco do contexto e dos objetivos gerais da criação da Frente pró-universidade publica, e iniciamos uma discussão sobre a inserção social e os dilemas da universidade pública nos dias de hoje. A universidade pública é algo recente na sociedade brasileira. A primeira universidade com esse nome foi criada por Getúlio Vargas no começo dos anos 30 (a Universidade do Brasil, hoje UFRJ) e a primeira a ter um projeto de grande dimensão foi a USP, criada justamente em resposta ao governo Vargas pela oligarquia paulista, em 1934. O projeto e a história da USP exemplificam bem o projeto e a história da universidade brasileira e retrata com clareza nossa realidade na reivindicação deste importante instrumento de inclusão educacional e social. Nosso principal objetivo com a criação da frente é resgatar setores da sociedade historicamente excluídos da universidade e incorporar a luta. Por isso, precisamos entender esse momento da universidade publica e nos posicionarmos diante de seus dilemas, para encontrarmos caminhos que apontem o que e como queremos a universidade para a região norte/noroeste, onde valorize o ensino e encare como formação ampla e integral dos cidadãos, prezando por sua qualidade, pela reflexão crítica e por sua integração efetiva na discussão. Mas estamos longe de concluir esse projeto ele precisa ser construído, e construído pelo maior número de pessoas possível, identificamos vários coletivos que discutem o tema e convidamos a incorporar a frente. Por isso a Frente pró-universidade publica será tão importante, pois precisamos sair dela com força, unidade e clareza sobre as idéias e diretrizes principais, para que consigamos legitimá-la por toda a comunidade e materializá-la num novo momento para nossa região. Participe da comissão e do lançamento da Frente retirando materiais e abaixo assinado.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PROPOSTA SOBRE PRÉVIAS É MAL RECEBIDA NO PT

Autor(es): Raphael Di Cunto | De São Paulo
Valor Econômico - 01/08/2011

Partidos: Corrente majoritária não chega a acordo também sobre regras mais duras para novas filiações



A discussão sobre o fim das prévias e a adoção regras mais duras para filiação partidária dividiu o grupo que hoje comanda o PT. Reunidos ontem em São Paulo, integrantes da chapa Para Mudar o Brasil, composta pela correntes PT de Luta e de Massa (PTLM), Novos Rumos e Construindo um Novo Brasil (CNB), a maior do partido, não chegaram a acordo sobre as mudanças no estatuto, a serem votadas no 4ª Congresso do PT no dia 4 de setembro.

"As propostas do anteprojeto foram mal recebidas pela maioria", afirmou o deputado federal Carlos Zaratinni, pré-candidato a Prefeitura de São Paulo. O texto com as mudanças foi elaborado pela comissão de reforma do estatuto e causou polêmica entre militantes, principalmente pela limitação às prévias, em que os militantes escolhem o candidato majoritário por eleição direta.

"A proposta do [deputado federal Ricardo] Berzoini, de serem necessários 20% das assinaturas dos filiados [para inscrever a pré-candidatura], acaba com as prévias", criticou Zaratinni. Hoje, é preciso do apoio de 10% dos filiados ou de 15% da direção para concorrer a indicação do partido. O anteprojeto prevê dobrar esses números. "Em São Paulo, com 120 mil filiados, seria preciso 24 mil assinaturas. É absurdo", disse.

Os defensores do modelo argumentam que é preciso limitar a disputa interna para não criar sequelas e evitar a disputa apenas para marcar posição - comum nas alas mais radicais do PT. "As últimas prévias que fizemos, embora seja um instrumento democrático, foram viciadas por vários problemas, inclusive interferência econômica", afirmou o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Na semana passada, Carvalho disse ao "Estado de S. Paulo" que a realização de prévias seria um "desastre". Agora, ele fala em "aperfeiçoar" o processo de escolha. "Prefiro que a gente chame as lideranças, discuta e chegue a um consenso", declarou.

Outro tema a dividir o grupo que comanda o PT é uma mudança proposta no anteprojeto para tornar obrigatória a participação em cursos e palestras para se filiar ao partido. "Tem que colocar limites em certas práticas. Mas não estou convencido que essa exigência seja a solução", disse o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, que, em tom de brincadeira, comparou as regras a um "Enem" (exame que serve como vestibular ao fim do ensino médico) para se filiar a legenda.

Um dos coordenadores da comissão de reforma do estatuto, Gleber Naime reclamou das críticas. "Quem faz piadinha deveria perceber que desqualifica o debate. Não queremos filiados só para votar nas eleições internas. Queremos militantes", disse. "Os cursos podem ser uma alternativa para votar na eleição interna, ao invés da contribuição financeira ao partido", completou.

PT RACHA SOBRE PRÉVIAS E REGRAS DE FILIAÇÃO

Autor(es): agência o globo:
O Globo - 01/08/2011



Em SP, prevê-se briga para escolha do candidato; no Rio, Paes deve ter vice petista

SÃO PAULO. O PT chegará dividido esta semana à reunião do Diretório Nacional, no Rio. O tema da discórdia são as prévias não só das eleições municipais de 2012 como as regras que deverão norteá-las no novo estatuto que está sendo elaborado pelo partido. Nem mesmo o grupo hegemônico do PT, liderado pelo antigo Campo Majoritário, chegou ontem a um consenso sobre as novas regras tanto para a realização de prévias quanto para a filiação partidária. Dirigentes como o deputado Ricardo Berzoini (SP) defendem mais rigor, principalmente nas filiações, exigindo dos futuros militantes que façam cursos de formação promovidos pela legenda.

- Tem de fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)? - ironizou o ex-ministro José Dirceu, ontem, na saída de um seminário do grupo, num hotel de São Paulo.

A ideia era que, no seminário, os petistas fechassem questão sobre as prévias e a filiação, mas as discussões só aumentaram.

- Para o cara se filiar ao partido, será um castigo. Vai ser mais fácil entrar para a maçonaria ou se tornar muçulmano. Não pode ser um partido bolchevique. O PT é um partido de massa - criticou o deputado Jilmar Tato (SP), líder da tendência PT de Luta e de Massas, sempre acusada em São Paulo de fazer filiação em massa.

Embora defendam as prévias como um dos instrumentos do partido, o deputado cassado José Dirceu e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmaram que a escolha de candidatos por meio de consenso é a melhor saída.

- Temos que ter a coragem de rever esse instrumento e, em alguns casos específicos, não usar um instrumento quando ele se volta contra nós - diz o ministro, que já ficou ao lado do ex-presidente Lula para evitar as prévias em São Paulo.

- Outra preocupação de Lula e também de grande parte do PT é com a renovação, um nome jovem - disse o ex-ministro, sem se referir diretamente ao ministro da Educação, Fernando Haddad, preferido de Lula para as eleições paulistas.

Enquanto em São Paulo a previsão é de tempestade para a escolha do candidato a prefeito, com pelo menos seis nomes na disputa - entre eles Fernando Haddad e a senadora Marta Suplicy -, no Rio o PT não deverá ter candidatura própria, ficando com a vaga de vice na chapa do prefeito Eduardo Paes (PMDB). O nome mais cotado, segundo alguns participantes do encontro em São Paulo, é o do vereador Adilson Pires

MINISTRO DIZ A PT QUE NÃO TERÁ VARREDURA

Faxina sem "varredura geral"

O Globo - 01/08/2011

Para acalmar os ânimos do PT, que teme que a faxina anticorrupção respingue nas alianças em 2012, o ministro Gilberto Carvalho disse que não haverá uma "varredura geral" O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tentou tranquilizar ontem os dirigentes petistas sobre as sucessivas crises no Planalto, que já provocaram a queda de dois ministros - Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes) - e a demissão de cerca de 20 pessoas indicadas por partidos políticos. Segundo ele, não haverá uma "varredura geral" no governo. Um dos temores dos dirigentes, que passaram o final de semana reunidos em São Paulo, é que a crise com os partidos respingue nas alianças para as eleições de 2012. O ministro não negou, no entanto, que o governo vá investigar denúncias de corrupção no Ministério da Agricultura, da cota do PMDB, partido do vice-presidente, Michel Temer. Demitido do governo, Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR), acusou os peemedebistas e o PTB de lotearem o ministério. - Tenha certeza de uma coisa: a presidente, de praxe, nos orienta para que nenhuma denúncia fique sem averiguação da CGU (Controladoria Geral da União) ou de algum órgão de controle interno. Tudo isso vai ser verificado. Sobre o caso concreto, eu não quero falar ainda - disse o ministro. Reunido a portas fechadas com líderes da chapa de maioria do PT, a "Partido que Muda o Brasil", antigo "Campo Majoritário", Carvalho reafirmou que a "faxina" da presidente Dilma Rousseff não é uma "caça às bruxas", mas que o governo deverá "ir para cima" dos casos de denúncia de corrupção. Ele também afirmou que a presidente não tem agido na esteira das denúncias feitas pela imprensa. - Nessa questão do Palocci e do Alfredo, não existe clima de caça às bruxas, mas é um clima de ir para cima, de cobrar sempre que houver algum tipo de erro. Eu demonstrei, contando como foram os bastidores da história do Alfredo, que em momento algum ela simplesmente acreditou numa reportagem e demitiu o ministro. Não foi isso. Foi um processo muito cuidadoso - disse ele, ressaltando que a demissão de Alfredo foi uma iniciativa de Dilma: - Fomos pegos de surpresa no Planalto. Para o ministro, a presidente "emitiu um sinal para todos os partidos": - Não tem predisposição de ninguém ou qualquer tipo de vontade de fazer uma varredura geral. O que existe é um cuidado para que o governo otimize seus recursos. Nenhum ato de corrupção será tolerado. Ministro nega crise entre Dilma e PT Carvalho tentou também desfazer a ideia de que exista um afastamento entre Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou entre a presidente e os movimentos sociais e o próprio PT. - Eu disse a eles (petistas) que, de zero a cem, eu aposto que é zero a possibilidade de haver uma crise entre a presidente Dilma e Lula. Tenho sido testemunha privilegiada dessa relação e sei do cuidado que o Lula toma de não dar nenhum passo que possa interferir na imagem do governo sem consultá-la. E também, da parte dela, uma noção de como Lula pode ajudar em um monte de coisas sem que isso constitua qualquer ameaça à autoridade dela. Eles têm uma relação muito especial. O ministro aproveitou o encontro com as lideranças da corrente majoritária do PT, do qual fazem parte o ex-presidente e a própria Dilma, para dar mais um recado do Planalto: - Comecei falando do governo Dilma, de algumas imagens que vão se formando de uma presidente que não dialoga com o partido ou que tem mais dificuldade do que o Lula de dialogar com os movimentos sociais. O diálogo com os movimentos sociais só aumentou neste tempo (os sete meses do governo Dilma). O presidente (do PT) Rui Falcão tem conversado mais com ela do que os presidentes anteriores conversaram com o Lula

sexta-feira, 29 de julho de 2011

COM OU SEM PRÉVIAS, PT JÁ ESCANCARA DIVISÃO INTERNA


Revista Veja

Petistas brigam para decidir candidato no maior colégio eleitoral do Brasil
Adriana Caitano

Marta Suplicy: nome conhecido pesa a favor, rejeição do eleitor, contra (Israel Antunes/Folha Imagem/VEJA)

"Quem tem medo das prévias não devia ser do PT, nem ser candidato”, Jilmar Tatto, deputado federal e um dos seis pré-candidatos do partido à prefeitura
A menos de um ano para a data limite em que os partidos devem formalizar os candidatos da disputa municipal de 2012, o PT já enfrenta divisão interna em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil. Pelo menos seis petistas figuram na lista de postulantes a prefeito e o consenso para a escolha parece longe de se concretizar. A solução apresentada por parte das lideranças do partido foi recorrer ao estatuto da sigla: em caso de haver mais de um pré-candidato, o escolhido é definido por meio de prévias. A possibilidade, porém, é rechaçada por outra parte do comando petista. O impasse já toma proporções nacionais e envolve o principal nome do partido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O receio de quem combate as prévias é a possível imagem de racha no partido. No entanto, a própria discussão sobre o formato de escolha dos candidatos tem provocado essa impressão. Dirigentes do partido se articulam para dificultar as prévias. Em setembro, os 1.350 delegados petistas vão se reunir em um congresso para votar mudanças no estatuto. A principal delas restringe a existência de prévias somente a situações em que dois terços do diretório – nacional, estadual ou municipal – concordem com a realização delas. A tentativa de mudança no estatuto reflete uma preocupação nacional com as prévias. O PT enfrenta o mesmo problema de excesso de postulantes a candidato em outras capitais brasileiras, como Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. O racha na base partidária é iminente

Lula é o inimigo número um das prévias. Em 2002, ele foi obrigado a disputar a vaga de presidenciável pelo PT com o senador Eduardo Suplicy em uma prévia. E, apesar de ter sido o vencedor, não gostou nada da experiência. Agora, pretende impor o nome do ministro da Educação, Fernando Haddad, para concorrer à prefeitura paulistana. Como Haddad não é popular nem entre os paulistanos nem dentro do PT paulista, sua candidatura poderia ir água abaixo com uma consulta às bases.

O maior defensor das prévias é Eduardo Suplicy, eterno pré-candidato do partido. “Vejo como algo que vai ser muito benéfico para todos e, ademais, é da história e do estatuto do partido. Não há porque ter tanta resistência”, comenta. Na última semana, Suplicy recebeu apoio do líder da bancada na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. “A prévia serviria para o partido se mobilizar, discutir um programa e um projeto para a cidade e até permitir que se conheça mais de perto alguns que não tiveram a militância partidária na base”, afirmou Dirceu, em seu blog.

O deputado federal Jilmar Tatto, um dos postulantes a candidato, prefere que a escolha seja feita com um consenso do colegiado, mas não descarta as prévias. “Quem tem medo delas não devia ser do PT nem ser candidato”, ressalta. Ele reprova a intenção de Lula de impor o nome de Haddad: “O que não pode é ter imposição. Aí não tem acordo”.

Nome forte na capital paulista, a senadora Marta Suplicy minimiza o debate. “Sobre eleições em São Paulo, só tenho uma coisa a dizer: o processo político é o que manda, mas a conjuntura é o que determina. Temos que aguardar”, disse, em seu perfil no Twitter. Marta tem defendido seu nome como o mais viável para a disputa, principalmente se o candidato do PSDB for José Serra. Ou seja, a definição do adversário poderá pesar mais do que a opinião dos dirigentes petistas.

Possibilidades - Entre vereadores e lideranças petistas de São Paulo, o nome com maior apoio político é o do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. No entanto, como faz parte do governo federal e tem boas relações com Lula, ele não deve comprar briga com o ex-presidente. A expectativa, portanto, é de que ele abra mão da candidatura municipal para se concentrar em 2014.

A estratégia do diretório municipal, por enquanto, será realizar, a partir de agosto, caravanas de debates pelas capital paulista. Nelas, os pré-candidatos poderão expor suas opiniões e tornar-se mais conhecidos de eleitores e filiados. O deputado federal Carlos Zarattini, que também está na disputa, acredita que essas caravanas são mais importantes que as prévias. “A questão é chegar a uma proposta de programa do partido para São Paulo que leve o PT à vitória”, afirma.

O vereador de São Paulo José Américo acredita que o cenário só estará definido no final de 2011. “O PT entende a prévia como um mecanismo apenas para resolver divergências", destaca. "Se fosse um valor universal e não deixasse sequelas, seria feita sempre." A aposta, segundo ele, é que, no final desse processo de debates, cada um dos pré-candidatos avalie a própria força e considere abrir mão da disputa em favor do mais forte.

O difícil será dissuadir os pré-candidatos da disputa. Em 2010, o senador Eduardo Suplicy foi convencido a desistir da corrida pelo governo paulista e ceder espaço para Aloizio Mercadante. Desta vez, pretende insistir. “A circunstância era outra. Naquela época, Aloizio abriria possibilidade de Marta ser eleita para o Senado - o que de fato aconteceu. Eu não vejo agora um argumento que possa me fazer desistir.”

quinta-feira, 28 de julho de 2011

KASSAB VETA ITENS DE TRANSPARÊNCIA NA LDO DE 2012

O Estado de S. Paulo

O prefeito Gilberto Kassab (sem partido) vetou quatro medidas de transparência embutidas pelos vereadores na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012, aprovada no início do mês pela Câmara Municipal. Os artigos previam, por exemplo, a divulgação dos convênios das operações urbanas e um projeto para avaliar o impacto ambiental das obras da Prefeitura.

Marcio Fernandes/AE–5/7/2011Razões. Para vetar manutenção de verbas, evocou lei de 1964
Pela alteração feita no Legislativo, Kassab teria de publicar na internet os convênios e contrapartidas dos prédios construídos acima do permitido pela Lei de Zoneamento nas áreas das quatro operações urbanas da cidade - Água Branca, Água Espraiada, Faria Lima e Centro. Assim, seria possível saber, por exemplo, quais contrapartidas para o trânsito de uma região um novo condomínio tem de fazer e o prazo para a conclusão dessas obras. O mesmo valeria para empreendimentos como shoppings e supermercados.
Em seu veto, Kassab alegou que a divulgação de "atos individuais" não está prevista pela Lei Orgânica do Município e a movimentação financeira das operações urbanas já é publicada no portal da Prefeitura na internet. Hoje, porém, é divulgada só a soma geral dos recursos que entram e saem das operações.
Outro veto foi à criação de um "projeto-piloto" para avaliar o impacto ambiental das obras da Prefeitura. Teriam de ser calculados os créditos de carbono que a administração municipal deveria pagar e o gasto hídrico de cada projeto. Para o prefeito, a medida feria a Constituição, uma vez que apenas o Executivo pode legislar sobre o assunto.
Desigualdade. Também foi vetada uma medida que previa que o governo priorizasse os investimentos nas subprefeituras localizadas na periferia, "em áreas de maior vulnerabilidade social". Para o prefeito, os vereadores não levaram em consideração as obras previstas por outras secretarias nas administrações localizadas em bairros mais pobres.
Também foi retirada da lei a obrigação de a Prefeitura manter na mesma área, no primeiro semestre de 2012, as verbas que não puderem ser aplicadas até o fim deste ano. Pela alteração feita pelos parlamentares, os recursos destinados às áreas de risco que não forem gastos até o dia 31 de dezembro, por exemplo, deveriam ser remanejados para o mesmo gasto. Kassab evocou uma lei de março de 1964, que define o orçamento como peça que precisa de atualização anual.

PT CRITICA JOBIM, QUE DISSE TER VOTADO EM SERRA

Autor(es): agência o globo:Maria Lima
O Globo - 28/07/2011



BRASÍLIA. A declaração pública do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de que votou em José Serra (PSDB) na eleição de 2010 irritou petistas e foi interpretada ontem, tanto no PMDB quanto no PT, como mais um episódio em que ele revela seu mal-estar na relação com a presidente Dilma Rousseff. Dilma ignorou a declaração, e Jobim, por meio da assessoria, negou que esteja descontente no governo. Ontem, a "Folha de S.Paulo" publicou entrevista em que Jobim declara ter votado em Serra.

Jobim informou ontem que é "muito amigo de Serra e chegou a morar com ele em Brasília". Para Jobim, "não há surpresa alguma para ninguém". Petistas dizem que o ministro está sem espaço no governo e procura uma desculpa para sua provável saída:

- Aparentemente, Jobim está querendo sair do governo. Mas não posso afirmar isso. Só ele pode esclarecer. Agora, é estranho ele integrar o governo Dilma e dar esse tipo de declaração - disse o líder do PT, senador Humberto Costa.

"Deve se achar a última bolacha do pacotinho"

O mais irado era o secretário nacional de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR). No Twitter, ele disse não entender como Jobim continua no governo: "Para dar uma declaração destas Jobim deve se achar a última bolacha do pacotinho. Deve achar que não há outro ministro de Defesa possível. Se acha transpartidário" - disse. "Só votou no PSDB até agora, e o Lula o nomeou ministro. Na campanha declarou sua preferência e foi mantido. Aí se sente no direito de nos expor".

Nunca foi segredo a opção de Jobim por Serra. Após a eleição, a coluna Panorama Político, do GLOBO, publicou declaração do líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), afirmando que Jobim votara em Serra. Jobim não desmentiu.

Mas a declaração pública de Jobim incomodou o PMDB, porque ele explicitou não ter votado na chapa que incluía o vice-presidente Michel Temer, do seu partido, e sim Índio da Costa, ex-DEM. Soma-se a isso o fato de o ministro ter participado de reuniões dos senadores dissidentes do PMDB que pregam independência do governo. Henrique Alves preferiu reagir com bom humor:

- O que passou passou. Ele tinha uma amizade muito grande com o Serra, respeitamos. Agora, o nosso trabalho é convencê-lo a votar daqui a quatro anos na Dilma e no Michel

PARA DIRCEU, PRÉVIAS INDEPENDEM DA VONTADE DOS DIRIGENTES DO PT

Autor(es): Fernando Taquari | De São Paulo
Valor Econômico - 28/07/2011



Em artigo publicado em seu blog, o ex-ministro José Dirceu reconheceu que dificilmente o PT deixará de realizar prévias para a escolha do candidato do partido à Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2012. A ideia da disputa interna, no entanto, não agrada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja simpatia pela candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, não conta com o apoio da base do partido. Apesar de trabalhar nos bastidores pelo nome de Haddad, Lula negou nesta semana ser contra as eleições internas. Outras lideranças petistas já se manifestaram contra o recurso, pois temem que as prévias possam deixar sequelas na campanha municipal.

"Tempo e forma dirão se somos capazes de convencer não apenas os filiados e militantes, mas os demais pré-candidatos de que não vale a pena fazer uma prévia. Reconheço, a missão é difícil", afirmou Dirceu. Assim como o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que defende abertamente a candidatura da senadora Marta Suplicy, o ex-ministro frisou que o recurso não depende da vontade das direções partidárias, já que faz parte do estatuto do PT. "(As prévias) podem deixar de acontecer por acordo político ou por desistência do concorrente, convencido pelos números e lideranças a abandonar a ideia. Mas, não podem ser impedidas", explicou.

Dirceu avaliou que, antes de discutir a realização ou não de prévias, "seria de bom tom ouvir o partido, ir aos diretórios zonais, debater com os movimentos, levar os pré-candidatos às bases petistas e à sociedade". Na semana passada, o ex-ministro já tinha tratado do assunto. Na ocasião, disse que não enxergava problemas na realização de prévias, sobretudo se fossem feitas com regras claras. As eleições internas, argumentou o petista, poderiam servir para mobilizar o partido e forçar a discussão de um projeto para a cidade.

"(A prévia) poderá até permitir que se conheça mais de perto alguns que não tiveram a militância partidária na base", disse o ex-ministro ao falar sobre Haddad. O ministro da Educação e os senadores Marta Suplicy e Eduardo Suplicy já manifestaram interesse na vaga, assim como os deputados federais Carlos Zarattini, Jilmar Tatto e Arlindo Chinaglia. Além deles, cogita-se a possibilidade do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, reivindicar o posto. O partido trabalha com a perspectiva de definir o candidato até o final deste ano

CARVALHO DIZ QUE FAZER PRÉVIAS NO PT PARA 2012 SERIA "DESASTRE"

Direção do PT age para mudar estatuto em congresso e esvaziar as prévias
Autor(es): Vera Rosa

O Estado de S. Paulo - 28/07/2011

Ministro Gilberto Carvalho afirma ao "Estado" que seria um "desastre" uma disputa interna para escolher o nome do candidato à Prefeitura de São Paulo


Acostumado a enfrentar polêmica tanto no PT como no governo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que "seria um desastre" o partido promover uma prévia para a escolha do candidato à Prefeitura de São Paulo. Carvalho cobrou "maturidade política" do PT no momento em que o partido começa a debater as alianças para as eleições de 2012 e a reforma de seu estatuto. A tendência do 4.º Congresso do PT, marcado para setembro, é dificultar as prévias.

"Seria um desastre ter prévia no PT em São Paulo", afirmou Carvalho ao Estado. "As prévias acabaram se transformando em trauma para nós porque, toda vez em que foram realizadas, houve enorme dificuldade para juntar o partido e reunificar a base. Com a disputa no nosso campo, as prévias oferecem munição para o adversário."

O diagnóstico de Carvalho, um dos mais respeitados quadros do PT, coincide com avaliações reservadas feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente Dilma Rousseff. Embora desvie do assunto publicamente, sob o argumento de que foi ele quem instituiu no PT o voto dos filiados para a escolha de candidatos a presidente, governador e prefeito, Lula se movimenta para convencer o partido a enterrar as prévias, conforme revelou o Estado na segunda-feira. O alvo são as cidades estratégicas para o projeto de poder petista, como São Paulo e Belo Horizonte.

O assunto promete agitar o 4.º Congresso do PT, de 2 a 4 de setembro, em Brasília. Convocado para mudar o estatuto do PT, o Congresso vai repaginar o sistema de consulta aos filiados para definição de candidatos a cargos majoritários. Propostas em discussão preveem, ainda, o aumento do dízimo petista para saldar a dívida do partido, na casa dos R$ 35 milhões, e a possibilidade de "recall" para troca de direção, antes do fim do mandato.

De todos os temas, porém, o que mais tem causado desconforto é a defesa do fim das prévias. Na capital paulista, Lula prega a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), à sucessão do prefeito Gilberto Kassab. Para abençoar o calouro Haddad, ele recorreu a cálculo político semelhante ao utilizado em 2010, quando bateu o martelo sobre o nome da então desconhecida ministra Dilma, sem ouvir o PT. Na sua avaliação, Haddad é um nome sem desgaste, que pode atrair a classe média em São Paulo.

A preferência do ex-presidente constrange a senadora Marta Suplicy, que quer entrar novamente no páreo pela Prefeitura e já está em campanha. Os deputados Carlos Zarattini e Jilmar Tatto, secretários de Marta quando ela foi prefeita (2001-2004), também estão de olho na vaga.

Em um cenário no qual o PSDB poderá bancar a candidatura do ex-governador José Serra, o PMDB põe à prova o deputado Gabriel Chalita e o PSD de Kassab ensaia o apoio ao secretário Eduardo Jorge (PV), Lula terá dificuldade para enquadrar a cúpula do PT, que não se entusiasma com Haddad.

Além de Marta e de dois integrantes de seu antigo grupo, hoje rachado, o senador Eduardo Suplicy (PT) já avisou que, se o acordo for inviável, não desistirá de disputar a indicação para concorrer a prefeito. Mesmo que seja com Marta, sua ex-mulher.

Obama. "Voltar atrás nas prévias, ou mesmo esvaziá-las, seria uma incongruência", comentou Suplicy. "No ano passado, a direção do PT fez um apelo para que eu abrisse mão da candidatura ao governo para Aloizio Mercadante, mas agora é diferente. Assim como Barack Obama e Hillary Clinton se deram tão bem em 21 debates, eu, Marta e todos os demais podemos interagir com os filiados", emendou o senador, numa referência à eleição nos EUA, em 2008.

Ministro da Ciência e Tecnologia, Mercadante está mais interessado, hoje, na eleição para o governo paulista, em 2014. Ele não quer deixar a Esplanada.

"Não se sabe quem vai ser o candidato em São Paulo, mas espero que prevaleça o bom senso no PT e haja acordo", insistiu o ministro Carvalho. Na sua opinião, as prévias só se justificam quando se trata de uma "disputa simbólica", como a que ocorreu entre Lula e o próprio Suplicy, sete meses antes da eleição presidencial de 2002.

Coordenador da comissão encarregada de preparar a reforma do estatuto do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP) foi na mesma linha. "O novo estatuto do partido tem de traduzir o debate político, e não uma visão burocrática de que qualquer pessoa pode disputar prévia apenas para marcar posição", argumentou Berzoini, ex-presidente do PT.

"Existe a preocupação de evitar o desgaste, mas ninguém quer fazer disso um Fla-Flu", completou ele.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

VEJA O CALENDÁRIO DAS CARAVANAS PROMOVIDAS PELO DM PT A PARTIR DE AGOSTO

Entre agosto e outubro o Diretório Municipal do PT de São Paulo voltará a promover as Caravanas Zonais. São grandes plenárias que acontecerão em todas as regiões da cidade. Durante esses encontros os filiados, dirigentes e parlamentares do partido debaterão, entre outros assuntos, os preparativos para a eleição municipal de 2012.
As caravanas irão percorrer os 35 Diretórios Zonais do PT na capital paulista.

Confira abaixo o calendário das reuniões:
DZ TATUAPÉ - 5 de agosto
DZ SÃO MIGUEL - 6 de agosto
DZ SAPOPEMBA - 7 de agosto
DZ VILA FORMOSA - 12 de agosto
DZ CIDADE TIRADENTES - 13 de agosto
DZ LAPA - 19 de agosto
DZ PIRITUBA - 20 de agosto
DZ SANTO AMARO - 26 de agosto
DZ CAMPO LIMPO - 27 de agosto
DZ CIDADE ADEMAR - 28 de agosto
DZ VILA MARIA - 9 de setembro
DZ JAÇANÃ - 10 de setembro
DZ TUCURUVI - 11 de setembro
DZ VILA MARIANA - 16 de setembro
DZ IPIRANGA - 17 de setembro
DZ SAÚDE - 18 de setembro
DZ JABAQUARA - 19 de setembro
DZ PERDIZES - 23 de setembro
DZ PINHEIROS - 23 de setembro

DZ FREGUESIA DO Ó - 24 de setembro
DZ BUTANTÃ - 25 de setembro
DZ CASA VERDE - 30 de setembro
DZ PERUS - 1º de outubro
DZ SANTANA - 2 de outubro
DZ PENHA - 7 de outubro
DZ ITAQUERA - 8 de outubro
DZ ERMELINO MATARAZZO - 9 de outubro
DZ VILA MATILDE - 14 de outubro
DZ GUAIANASES - 15 de outubro
DZ SÃO MATEUS - 16 de outubro
DZ MOOCA - 21 de outubro
DZ ITAIM PAULISTA - 22 de outubro
DZ VILA PRUDENTE - 23 de outubro
DZ CENTRO - 28 de outubro
DZ M BOI MIRIM - 29 de outubro
DZ CAPELA DO SOCORRO - 30 de outubro

terça-feira, 26 de julho de 2011

PT E PSDB ARMAM TABULEIRO DE 2014



Autor(es): Raymundo Costa
Valor Econômico - 26/07/2011



PT e PSDB antecipam largada para 2012. Lula articula palanques até 2014; tucanos tentam tirar Serra da disputa presidencial.

PT e PSDB anteciparam a largada às eleições municipais de 2012. O centro da disputa é o território de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, portanto, decisivo na eleição para presidente de 2014. A rigor, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, queimou a largada ao decidir fundar o PSD. Mas a partida valeu, a corrida seguiu e PT e PSDB entraram na pista com disposição de início de campanha.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta repetir a mesma fórmula que o levou a eleger a presidente Dilma Rousseff. Seu candidato é o ministro da Educação, Fernando Haddad, um técnico que nunca antes disputou eleição, como Dilma, e que assim como a atual presidente, à época, também acumula polêmicas.

Nessa lista estão os fiascos do Enem, as cartilhas com erros de português e o "kit gay", como foi batizado no Congresso o pacote contra a homofobia.

Tucanos forçam Serra em SP para dar passagem a Aécio

Na campanha de 2010, como se recorda, Dilma foi acusada de defender o desenvolvimento a qualquer custo (meio ambiente) e a legalização do aborto, assunto que contaminou o segundo turno da eleição presidencial. E assim como Dilma, o ministro Haddad é um nome técnico de fora do aparelho petista, tem bom relacionamento com Lula e é digerível por boa parte da classe média paulistana.

Lula articula as principais candidaturas para 2012 tendo em vista as alianças com os outros partidos. O ex-presidente costuma lembrar que somente venceu em 2002, após três tentativas, ao ampliar o leque de alianças do PT juntando-se ao PL do empresário e depois vice José Alencar, morto em março passado. No que se refere a São Paulo, Haddad leva vantagens diversas em relação aos outros pretendentes do PT, sob o ponto de vista de Lula.

Em primeiro lugar, é uma novidade. Apesar das polêmicas em que esteve envolvido, deve capturar o eleitorado histórico do PT na capital. E tem espaço para crescer, sobretudo com o apoio que Lula costuma dar a seus "candidatos do peito", como ficou demonstrado nas eleições do ano passado. Se Haddad ganhar, o PT terá aberto uma brecha na muralha da cidadela tucana em São Paulo - Kassab não é do PSDB, mas é ligado e fiel ao tucano José Serra.

Na hipótese de Haddad perder, é certo que Lula não terá dificuldade para conseguir seu apoio para o eventual candidato do PMDB, Gabriel Chalita, se ele for um dos dois candidatos no segundo turno. Algo que seria difícil de tirar de Marta Suplicy - que é pré-candidata - ou Aloizio Mercadante, atual ministro da Ciência e Tecnologia, também potencial candidato à indicação. Lula joga com as alianças de 2012 tendo em vista a disputa de 2014.

Vitória na eleição na capital de São Paulo é uma variável que não se discute na equação eleitoral do PSDB, pelo menos por enquanto. A discussão entre grande parte dos tucanos é outra: como fazer José Serra decidir logo se é ou não candidato a prefeito de São Paulo. A decisão de Serra é importante para Aécio Neves e seus correligionários resolverem o encaminhamento da candidatura presidencial do mineiro.

É nesse contexto que deve ser entendida a proposta de realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB a prefeito, de preferência até dezembro deste ano. Isso forçaria Serra a uma decisão já. Na hipótese de ele ser candidato, Aécio teria a segurança de contar com o caminho livre para começar a trabalhar sua candidatura para 2014, sem receio de que alguém possa lhe tirar a bola no meio do jogo.

Serra já disse que não será candidato a prefeito. Em particular, afirma que não disputaria de novo nem que esta fosse a última eleição de sua vida - só não diz o mesmo publicamente para não "ofender" os paulistanos, insinuando algum tipo de menosprezo pela prefeitura. Mas os adversários do tucano paulista ou não acreditam que ele consiga ficar sem um cargo até 2014 ou acham que podem convencê-lo com o argumento de que é a única alternativa viável do PSDB, sob pena de a sigla começar a desmoronar em São Paulo.

Por trás desse argumento, está o mesmo raciocínio defendido na convenção que elegeu os novos dirigentes tucanos, no final de maio, segundo o qual o PSDB deveria escolher logo o candidato a presidente. Para Serra, não interessa decidir nada agora. O tempo joga a seu favor, ao contrário do que ocorreu nas duas vezes em que disputou a Presidência da República, quando teve de deixar os cargos que então ocupava (ministro da Saúde e governador de São Paulo) no início de 2002 e de 2010.

O tempo está a favor até em relação à prefeitura de São Paulo: Serra não precisará dizer se é ou não candidato no início de maio de 2012, prazo para a desincompatibilização de pré-candidatos que tiverem cargos executivos. Um exemplo: o secretário de Energia, José Aníbal. No limite, Serra pode até deixar a decisão para o final de junho de 2012.

A exemplo de um número cada vez maior da chamada elite política do Congresso, independentemente de partido, José Serra também supõe que o candidato do PT, nas eleições de 2014, será o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste cenário, talvez o PSDB se convença de que o candidato ideal é o próprio Serra - o contraponto de Lula no partido..

A tese segundo a qual Aécio deveria disputar com Lula em 2014 para encorpar uma recandidatura em 2018 enfrenta problemas. O próprio Aécio tem dificuldades para enfrentar Lula, com o qual manteve excelente relacionamento no governo. Além disso, a concorrência para daqui a sete anos deve ser maior.

Sem falar do PT, cujo candidato deve ser Lula (para a eleição ou para a reeleição), o PMDB, por exemplo, contará com o nome do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, se os Jogos Olímpicos de 2016 forem o sucesso. Não há porque duvidar das possibilidades do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), nome que, por sinal, anda às turras com o PT. E no terreiro do PSDB já haverá outro candidato a cantar de galo - Beto Richa, atual governador do Paraná, filho de um dos fundadores tucanos, José Richa.

Os políticos gostam de dizer que as eleições municipais são diferentes das eleições para os governos de Estado e a Presidência da República. Mas nunca deixam de disputar uma sem pensar na outra.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

MINISTRAS PASSAM NO TESTE DO PRIMEIRO MÊS



Ideli dribla a crise e volta a ser testada

Autor(es): Fernando Exman | De Brasília
Valor Econômico - 26/07/2011




Uma atravessou o momento mais agudo da crise do PR sem danos à base governista. A outra impôs-se prometendo só o que pode cumprir. Faz pouco mais de um mês que as ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffman (Casa Civil) começaram a trabalhar juntas no triunvirato de poder que passaram a compor com a presidente Dilma Rousseff. Impuseram a uma base aliada até então incrédula a sua capacidade de gestão do núcleo de governo



Há pouco mais de um mês no comando da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti faz o que pode para se consolidar no cargo. Restabeleceu a ponte entre o Palácio do Planalto e o Congresso e tem batalhado para recuperar o prestígio da Pasta junto à presidente Dilma Rousseff. Tem agora como principal desafio, no entanto, convencer Dilma a atender as duas maiores demandas dos partidos que integram a base aliada: a liberação do dinheiro de emendas parlamentares ao orçamento federal e o preenchimento dos cargos de confiança de ministérios, empresas estatais e órgãos federais.A postura de Dilma em relação a esses dois assuntos deve dar o tom das relações entre o governo e o Congresso a partir de agosto, quando acabará o recesso parlamentar.

"Tudo vai depender do andamento da liberação dos restos a pagar e das nomeações para os cargos. Essas questões têm que ser resolvidas", comentou um influente deputado do PMDB. "Isso independe da pessoa que ocupa a Secretaria de Relações Institucionais; é o governo que precisa resolver."

E não são poucos os interesses do governo no Congresso. Na Câmara, por exemplo, o Executivo quer aprovar o projeto de lei que reestrutura o sistema brasileiro de defesa da concorrência e a criação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

No Senado, tenta convencer o senador Fernando Collor (PTB-AL) a destravar a tramitação da proposta que libera o acesso a documentos públicos sigilosos e pretende aprovar o Código Florestal. Além disso, o Executivo deve enviar ao Legislativo propostas pontuais para reformar o sistema tributário.

Há também as armadilhas que o governo precisará desengatilhar no Congresso a fim de evitar despesas que coloquem em risco o ajuste fiscal em andamento. Os deputados querem, por exemplo, votar mudanças nas regras do fator previdenciário, aumentar os salários de policiais e bombeiros (PEC 300) e os gastos na área de saúde (Emenda 29).

"O governo vai ter que desarmar isso", alertou o líder de um partido governista.

Segundo ele, depois da pressão pela prorrogação do decreto que permite o pagamento de emendas parlamentares inscritas nos restos a pagar, a base aliada começará a cobrar do Executivo o empenho das emendas apresentadas ao Orçamento de 2011. "É melhor o governo me dever 100 do que me dever só 10", resumiu.

A prorrogação do decreto que trata das emendas parlamentares é um exemplo dos resultados da atuação de Ideli. Dilma resistia a acolher a demanda, mas mudou de ideia depois de alertada pela ministra de que a decisão poderia causar problemas para o governo no Legislativo.

O aviso da ministra tinha fundamento. Foi feito a Dilma após uma série de conversas de Ideli com líderes dos partidos aliados no Congresso, as quais passaram a fazer parte da rotina da articuladora política do governo.

Ideli, que passou a despachar no gabinete de Dilma ao lado dos ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Helena Chagas (Comunicação Social) sobre a agenda do governo, também teve crédito no arrefecimento da crise entre o governo e o PR. Devido à "faxina" promovida por Dilma no Ministério dos Transportes, integrantes do partido de Alfredo Nascimento ameaçavam faltar ao coquetel oferecido pela presidente a parlamentares aliados para brindar o fim do primeiro semestre. Mudaram de ideia depois que Ideli conversou com alguns líderes da sigla.

Ex-senadora (SC), ex-líder do PT no Senado e ex-líder do governo no Congresso, Ideli adotou uma estratégia criativa para fortalecer os laços com o meio político. Consulta a lista de aniversariantes do dia todas as manhãs e, em seguida, telefona para parabenizar ministros, congressistas, governadores e prefeitos.

No período em que a Pasta foi comandada por Luiz Sérgio, hoje ministro da Pesca e Aquicultura, senadores e deputados se queixavam justamente da precariedade da interlocução com o Palácio do Planalto. A força do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci reduzia a margem de manobra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, e Palocci não conseguia dar vazão aos pedidos dos aliados. Com crise que levou à saída de Palocci do governo, Dilma promoveu então a troca de cargos entre Ideli e Luiz Sérgio.

Gleisi impõe estilo direto e sem rodeios à Casa Civil

De Brasília

Gleisi Hoffmann tem buscado seguir à risca a missão que recebeu da presidente Dilma Rousseff quando foi convidada a assumir a chefia da Casa Civil: colocar novamente a Pasta à frente da gestão do Executivo.

Senadora eleita pelo PT do Paraná, Gleisi não abandonou o olhar político para os assuntos do governo e acompanha Dilma em encontros com parlamentares aliados no Palácio da Alvorada. Até agora, no entanto, sua atuação não criou embaraços a Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais da Presidência da República.

Os políticos que se reuniram com Gleisi nos últimos dias elogiam sua objetividade, interesse nas demandas e sinceridade ao falar de demandas que terão dificuldades em prosperar no governo - característica também notada pelos interlocutores da presidente.

"Ela não teve muita diplomacia: foi direto no que pensa. É melhor que o ministro seja sincero do que enrole a gente", comentou um parlamentar que foi recebido pela chefe da Casa Civil ao falar do estilo da ministra. "Se cumprir o que falou, está bom."

Desde que tomou posse, em 8 de junho, Gleisi reuniu-se com grande parte dos ministros e tomou parte nas discussões sobre os principais programas do governo, como o Brasil Sem Miséria, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as obras para a realização da Copa do Mundo de 2014.

Está à frente da Câmara de Gestão criada pelo Palácio do Planalto em parceria com pesos pesados do empresariado nacional, e reativou a Subchefia de Articulação e Monitoramento da Casa Civil. O órgão, responsável por auxiliá-la no acompanhamento das ações prioritárias do governo junto aos ministérios, havia sido esvaziado por Antonio Palocci para que a Casa Civil retomasse o protagonismo na articulação política do governo.

Gleisi também vem atendendo alguns governadores, inclusive da oposição. Estiveram em seu gabinete, por exemplo, os governadores de Rondônia, Piauí, Espírito Santo e Goiás. Gleisi reforçou ainda a ponte entre o Palácio do Planalto com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

A ministra não descuidou, no entanto, de seus interesses políticos no Paraná. Nas últimas semanas, Gleisi reuniu-se no Palácio do Planalto com o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, e o secretário de Infraestrutura e Logística do governo do Paraná, José Richa Filho.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

LULA DIZ NÃO SER CONTRA PRÉVIAS NO PT PARA 2012


Segundo ex-presidente, as prévias foram uma proposta dele.
Em São Paulo, Lula apoia pré-candidatura de Haddad para a prefeitura.

Maria Angélica Oliveira
Do G1, em São Paulo

imprimir O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na noite desta segunda-feira (25), ao chegar para um jantar em que seria homenageado por um por uma revista em um clube da zona sul de São Paulo, que não se opõe à realização de prévias para escolher candidatos do PT nas eleições municipais de 2012.

"Não [me oponho]. Fui eu que propus a criação de prévias [dentro do PT]", afirmou o ex-presidente, que apoia a pré-candidatura do ministro da Educação Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo.

LULA TRABALHA CONTRA PRÉVIAS NO PT PARA 2012



Lula já percorre País para vetar prévias no PT e negociar as alianças de 2012

Autor(es): Vera Rosa
O Estado de S. Paulo - 25/07/2011

Em uma estratégia negociada com a presidente Dilma Rousseff, petista tem conversado com aliados, sobretudo nas capitais, para assegurar pactos contra os tucanos; em São Paulo, ex-presidente está disposto a bancar nome de Fernando Haddad


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é contra a realização de prévias no PT para a escolha de candidatos às prefeituras, em 2012, e já trabalha para evitar a prática. Lula avalia que o modelo com voto dos filiados, tradicional no partido, deixa sequelas na disputa e mais atrapalha do que ajuda na atual temporada de costumes políticos pragmáticos. Em viagens pelo País, Lula já está articulando candidaturas e alianças com o PT.

Em São Paulo, ele está disposto a bancar a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à revelia do PT. Pouco afeito a gestões políticas, Haddad enfrenta resistências na seara petista.

O empenho de Lula para varrer as prévias do mapa eleitoral não vale só para São Paulo. Ele combinou com a presidente Dilma Rousseff que cuidaria da montagem dos palanques nas principais capitais e enquadraria o PT. Aliancista, Lula avalia que o PT só deve apresentar candidato onde tiver reais chances de ganhar. Caso contrário, recomenda ceder a cabeça da chapa para uma outra legenda.

"Em determinadas situações, precisamos juntar todos os diferentes para enfrentar os antagônicos", diz o ex-presidente. "Quem tem responsabilidade com o projeto nacional faz suas contas olhando para o futuro", observa o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

Novidade. Em São Paulo, Lula avalia que é preciso um nome novo na praça para enfrentar a "máquina" da Prefeitura, comandada por Gilberto Kassab (fundador do PSD), e também do governo, dirigido por Geraldo Alckmin (PSDB).

Além disso, há o fator Gabriel Chalita, deputado que migrou do PSB para o PMDB e assusta os petistas.

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) está na frente nas pesquisas, postula a indicação do partido para concorrer à Prefeitura de São Paulo - que já administrou de 2001 a 2004 - e acha que é a única em condições de derrotar José Serra (PSDB), apesar de enfrentar alto índice de rejeição.

"Serra diz que não vai ser candidato, mas vai. Seria uma boa oportunidade para uma revanche", afirma ela, que perdeu a eleição para o tucano, em 2004.

Marta foi surpreendida pela movimentação de Lula, ficou contrariada, mas não crê que a candidatura de Haddad seja fato consumado. De qualquer forma, não pretende disputar prévia.

Há, porém, quem prometa defender esse método até o fim, caso não haja acordo.

Ex-marido de Marta, o senador Eduardo Suplicy (SP) quer agora concorrer novamente à Prefeitura de São Paulo, cargo que já disputou em 1985 e 1992.

"Por onde passo, todos me perguntam por que eu não sou candidato. Eu me disponho a ser e considero as prévias o mecanismo mais democrático do PT", insiste Suplicy, que praticamente obrigou o ex-presidente Lula a disputar com ele uma dessas primárias para definição do candidato ao Planalto, em 2002.

Trincheira. Na prática, porém, Lula está de olho em 2014 ao promover articulações políticas para a eleição do ano que vem.

"Não basta falar mal dos tucanos na véspera da eleição. Se a gente trabalhar direito, o Estado de São Paulo ficará pronto para a gente governar em 2014 e teremos um palanque forte para a Dilma", afirmou Lula no encontro estadual do PT, em Sumaré (SP), no mês passado.

"São Paulo virou a trincheira da oposição ao nosso projeto nacional e é a nossa prioridade", argumenta o presidente do PT paulista, Edinho Silva.

O PT quer desbancar o PSDB, que ocupa há 16 anos o governo de São Paulo, mas está dividido. Até mesmo o grupo de Marta rachou e dois de seus ex-secretários - os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini - também são pré-candidatos à Prefeitura.

Antes cotado, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, não deve entrar no páreo. Mercadante foi o candidato do PT ao governo de São Paulo em 2010.

Dificuldades. O quadro, porém, não é fácil para o PT nos maiores colégios eleitorais do País.

Além de São Paulo, o partido está cindido em Minas Gerais, não sabe que rumo seguir no Rio Grande do Sul e muito menos em Fortaleza, Recife e Curitiba.

Para completar, o Supremo Tribunal Federal (STF) prevê o julgamento dos réus do mensalão - maior escândalo do governo Lula, revelado em 2005 - para o primeiro semestre de 2012.

O PT teme que o escândalo de 2005 seja ressuscitado, dê munição aos adversários e contamine a disputa.

Em conversas com petistas e com a própria presidente Dilma Rousseff, Lula também prometeu atuar para desmontar o que chama de "farsa" do mensalão. Até agora, porém, o ex-presidente não deixou claro quais serão suas ações e sua estratégia.

Mesmo depois de deixar o Palácio do Planalto, o ex-presidente nunca disse quem o traiu.

POLÍCIA MATA UMA PESSOA NO BRASIL A CADA 5 MINUTOS


Menino Juan de Moraes morto durante operação policial na Favela Danon, em Nova Iguaçu no RJ.

EM 5 HORAS, UM POLICIAL VAI MATAR ALGUÉM
Autor(es): Renata Mariz e Alana Rizzo
Correio Braziliense - 25/07/2011




São 141 assassinatos por mês ou 1.693 por ano. Bastariam esses dados para colocar a polícia brasileira como uma das mais violentas do mundo. Mas a realidade ainda é bem pior. Esses números, levantados pelo Correio, estão baseados apenas em informações oficiais do Ministério da Saúde e das secretarias de Segurança Pública de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nessa guerra, as principais vítimas são jovens de 15 a 29 anos (70%). No Rio, no ano passado, as ações de agentes civis e militares resultaram na morte de 545 pessoas, o maior número do país. Entidades não governamentais também acreditam que esses dados são subestimados. No Distrito Federal, por exemplo, o sistema de informação da pasta registrou somente três óbitos desde 2004




Levantamento do Correio a partir de números federais e estaduais mostra que 141 assassinatos são cometidos a cada mês por agentes do Estado. Caso do menino Juan, morto aos 11 anos, não é isolado



A cada cinco horas, uma pessoa é morta no Brasil pela polícia. São 141 assassinatos por mês ou 1.693 ao ano. O dado, resultado de cruzamento feito pelo Correio a partir das estatísticas de mortalidade por força policial do Ministério da Saúde e das ocorrências registradas nas secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e São Paulo, refere-se a 2009. De 2010 para cá, a violência não cessou. Pelo menos 1.791 pessoas já perderam a vida pelas mãos dos homens fardados. Um deles foi Juan Morais, de 11 anos, executado em 20 de junho a tiros de fuzil disparados por policiais militares na favela Danon, Nova Iguaçu, conforme mostraram as investigações da Polícia Civil do Rio. Os assassinatos cometidos pela polícia seguem a lógica da violência em geral: 70% dos mortos são jovens de 15 a 29 anos. Entre os 5 e 14 anos, a faixa etária de Juan, foram 28 mortos, de 2006 a 2009.

"Não fosse a pressão das entidades de direitos humanos, da Assembléia Legislativa do Rio e da imprensa, Juan seria eternamente um desaparecido, como tantos outros", afirma Sandra Carvalho, diretora da Justiça Global, organização não governamental que faz pesquisas nacionais sobre violência policial. Para ela, o caso do menino é emblemático porque mostra artimanhas utilizadas pela polícia para matar impunemente. "Uma é o chamado "auto de resistência" ou "mortes em confronto", como as corporações costumam registrar todas as mortes provocadas por eles. A outra maneira de acobertar parte das execuções é exatamente ocultando o cadáver", diz.

No ano passado, no Rio, foram registradas 545 mortes por força policial, o maior número no país. No ano anterior, foram 495 — 116 a menos que os 611 registrados em 2008. O número de desaparecidos naquele estado varia de 4,6 mil e 5,4 mil por ano. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública fluminense ressaltou que, desde 2007, 947 policiais militares e civis foram expulsos da corporação — a maior parte por crime de homicídio — e houve queda de 22% nos autos de resistência. As autoridades de São Paulo, que junto com o Rio respondem por praticamente 80% dos assassinatos cometidos por policiais no Brasil que chegam aos registros oficiais, informou que nos últimos dois anos 30 policiais civis foram punidos por mortes em confronto. Já a PM paulista afirma que houve redução das mortes em confronto. Em 2010, os óbitos representaram 17% do total de intervenções, 6% a menos que no ano anterior.

Há dificuldade em mapear as mortes. As únicas informações oficiais disponíveis no Brasil são do Ministério da Saúde com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Divergem, no entanto, dos números da segurança pública estadual e são prejudicadas por subnotificações. O Distrito Federal, por exemplo, registrou apenas três mortes por intervenção letal desde 2004. O número é o mesmo de Goiás, onde investigações da Polícia Federal identificaram a ação de um grupo policial de extermínio no estado. Em Minas Gerais, o SUS registra 24 mortos entre 2004 e 2009. Porém, estudos da Secretaria de Defesa Social do estado mostram que, somente em 2007, 74 pessoas foram mortas em conflitos com a polícia mineira.

Forças de paz
Especialistas da área de segurança pública sustentam que a violência policial no Brasil é reflexo da ineficiência do processo de transição. "As forças policiais têm uma missão insubstituível para o funcionamento do sistema democrático", afirma Juan Faroppa, consultor da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Faroppa ressaltou a existência de policias militares no Brasil como resquício do regime militar, ao contrário de outros países. A letalidade da polícia brasileira também assusta.

"É preciso uma reforma transformando forças de segurança em forças de paz", disse ele durante o Congresso Internacional de Justiça de Transição, em Brasília, no início do mês. Ele destaca medidas como profissionalização da polícia, independência da organização e despartidarização. "O processo de desmilitarização tem de ter estrutura hierárquica, o sistema disciplinar e os direitos humanos."

Pesquisa
O levantamento feito pelo Correio Braziliense levou em consideração os dados de óbitos por intervenção legal do Ministério da Saúde e os autos de resistência das secretarias de segurança pública do Rio de Janeiro e de São Paulo. Para evitar a duplicidade de mortos, foram excluídos os registros do SUS dos dois estados.