Blog do Diretório Zonal da Freguesia do Ó e Brasilândia do Partido dos Trabalhadores na Cidade de São Paulo - SP

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Padilha visita a Brasilandia e ganha apoio da população,




No dia 7 de Setembro a Brasilandia recebeu calorosamente o candidato a governador Alexandre Padilha, do PT.
Uma multidão acompanhou Padilha na visita aos comércios do Parque Tietê e Jardim Elisa Maria. Logo depois,acompanhado por dezenas de militantes que carregavam bandeiras da campanha, ele foi até a feira da Avenida Inajar de Souza, conhecida como varejão, onde fez um corpo a corpo pedindo votos e cumprimentando os feirantes e os respectivos fregueses.
Por cada barraca em que Padilha passava, por cada mão que ele apertava, recebia o apoio e o carinho da população. Vários candidatos a deputados estaduais e federais, além do senador Suplicy, também participaram da caminhada com Padilha. A agenda foi organizada pelo Diretório Zonal da Freguesia/Brasilandia.

Brasilândia - Uma história de lutas e conquistas



Por Matu Pontes

Quando fui candidato à Deputado Estadual pelo PT na eleição passada, meu coletivo político e moradores da Brasilândia encamparam algumas lutas pela melhoria da nossa região.
O Hospital da Brasilândia já era uma luta nossa antiga junto aos movimentos de saúde e o PT local, que se tornou proposta de campanha da Prefeita Marta Suplicy a ser realizada em um eventual segundo mandato.
A idéia de construção da Universidade Federal da região Noroeste e a construção de um Centro Olímpico foi elaborada por minha assessoria e apresentada em uma cartilha de propostas para o então candidato, e atual prefeito Fernando Haddad, que incluiu em seu programa de governo.
Os frutos dessa história de luta, passa neste momento, a ser os frutos de uma história de conquista, seja o hospital da Brasilândia que já está licitado e tem previsão para o início das obras ainda em 2014 e o centro olímpico que em audiência pública na subprefeitura, foi anunciado pelo Secretário de Infra Estrutura Urbana do Município, como obra prevista para a região da Vila Penteado em parceria com o Governo Federal.
A Universidade Federal será construída em Pirituba e o metrô também irá se tornar uma realidade graças à parceria com o Governo Federal da Presidenta Dilma Rousseff e a Prefeitura do Município com o Fernando Haddad.
Fico satisfeito de ter participado dessa luta histórica de pessoas e movimentos sociais que lá atrás não somente sonharam mas fizeram com que esse sonho hoje se tornasse realidade.
Penso que o grande legado que fica para as novas gerações é que, sem lutas não há conquistas, e que temos muito ainda o que fazer pela nossa região.

Matu Pontes – É Dirigente Sindical e foi candidato à Deputado Estadual pelo PT em 2010 e foi presidente do Diretório Zonal do PT Freguesia/Brasilandia

Coragem de Haddad está mudando São Paulo


ALDOFORNAZIERI


Desde Aristóteles, a prudência tornou-se a principal virtude política. Mas antes da prudência, a coragem forjou-se como a primeira virtude do agir em prol da comunidade. Com efeito, a garantia de segurança foi uma necessidade inicial dos primeiros grupos humanos e continua sendo até hoje. A segurança tornou-se, assim, a primeira razão para a fundação de estruturas coletivas institucionais, projetadas sobre um território e sobre uma comunidade humana. Ao ser percebida como uma necessidade, ela tornou-se também uma finalidade das comunidades gregárias primitivas. A transformação de necessidade em finalidade, de modo geral, é o processo de constituição de praticamente todos os fins e bens públicos.

Prevenir o perigo, estabelecer defesa comum, são medidas de segurança e razão fundacional das cidades por um largo período histórico. Garantir segurança — que quer dizer também garantir a vida, a integridade física e os bens — constitui o primeiro e fundamental bem público. Os homens antigos agregaram-se por necessidade e por interesse, por temor e esperança, e a liderança de um chefe constituiu o ponto de convergência desta agregação. Nos corpos comunitários originários, a direção e o comando, que se traduzem em ordem e sentido, eram exercidos de forma imediata. O primeiro fundamento da organização era natural e empírico: baseava-se na força física e no valor moral da coragem. Foi necessário que um líder dotado de força e coragem se colocasse à frente do grupo, liderando-o e protegendo-o para que a segurança fosse garantida.

À medida que as sociedades humanas tornaram-se complexas, o comando, para ser exercido, passou a exigir a presença de normas explícitas e de instituições, configurando-se formas de ordenamentos políticos. Neste processo, como é mostrado por Maquiavel, a direção e comando passaram de seu estado físico para uma existência institucional e simbólica. Percebeu-se que a força física não era o único elemento a conferir legitimidade ao comando. A aliança entre sabedoria e justiça, origem da virtude da prudência, passaram a ser exigidas na escolha da liderança. O caráter moral das comunidades foi se tornando explícito. Se o primeiro elemento da moral inerente ao comando foi a coragem exigida do chefe, o segundo, que veio a tornar-se o valor cardeal da atividade da liderança política, foi a prudência.

Platão irá conferir à coragem o status de uma das quatro virtudes cardeais, definindo-a como “opinião reta e conforme à lei sobre o que se deve e sobre o que não se deve temer”. Ao defini-la como “firmeza de propósitos”, Aristóteles a situa como meio termo entre o medo e a temeridade. Cícero conferiu dois atributos principais à coragem: “desprezo pela morte e desprezo pela dor”. Ao notar o caráter primordial da coragem, Aristóteles sustentava que ela “se mostra como a base do desenvolvimento das demais virtudes”. Maquiavel não a confunde com a impetuosidade, mas no famoso capitulo do O Príncipe onde trata da fortuna, sustenta que é melhor que o líder seja ousado. A ousadia não é oposta à prudência. O fato é que para fazer aquilo que deve ser feito e deixar de fazer aquilo que não deve ser feito, que é uma determinação da prudência, é preciso ser corajoso. Somente o líder corajoso, que age com ousada prudência, agirá adequadamente para promover o bem público.

A Coragem de Haddad

A política brasileira, por ter se tornado um negócio no qual prevalece mais os interesses de grupos particulares e de indivíduos, carece de líderes corajosos. Essa política das conveniências, que expressa a falta de coragem, é uma das causas do deserto de novas lideranças no país. É também causa da falta de capacidade inovativa nas ações de governo e da crise da capacidade de governar, entendida como crise de capacidade de resolver os problemas existentes e de antecipar-se ao advento de problemas futuros, com soluções e transformações inovadoras.

O prefeito Fernando Haddad é um dos poucos líderes atuais que foge deste anátema da política como negócio e conveniência, que são também duas funções da corrupção, seja no sentido da malversação dos recursos públicos, seja no sentido da corrupção da personalidade política que perde a autonomia em face da realidade limitante da ação e das decisões que um governante deve adotar. O empenho na aprovação do Plano Diretor, o expurgo da quadrilha que fraudava o ISS e a implantação das ciclovias e das faixas exclusivas para ônibus são exemplos suficientes para mostrar que Haddad está incurso em outro paradigma de governante que “faz aquilo que deve ser feito”, independentemente da mera conveniência pessoal, sem considerar se isto poderá render-lhe uma reeleição e elevar-lhe a popularidade. “Fazer o que deve ser feito” demanda coragem, pois o que está em jogo é um presente e um futuro melhores para a cidade.

Nos primeiros meses de seu governo, Haddad foi tolhido pela tormenta das manifestações de 2013, que derrubaram a popularidade de quase todos os governantes. Na maré baixa de sua avaliação, o prefeito não deixou de adotar medidas estruturantes para o futuro da cidade, mesmo sabendo que elas não lhe trariam saldos imediatos de popularidade. Suportou críticas de aliados e ataques erosivos de setores da imprensa que são contrários a uma São Paulo melhor. Agora começa a colher os primeiros resultados da mudança da opinião pública a seu favor, como mostra a pesquisa do Datafolha.

Muitos se perguntam acerca da razão de implantar 400 km de ciclovias e centenas de quilômetros de faixas exclusivas para ônibus se não existe ainda uma demanda imediata para tudo isto. Tal como a coragem é condição da prudência, a existência das ciclovias e das faixas exclusivas é condição para um transporte melhor, para uma condição de vida melhor e para uma cidade mais humana. Implantá-las representa “fazer aquilo que deve ser feito”. Sem elas, não haverá a criação da cultura do uso da bicicleta e não se buscaria a exigência de ônibus melhores, mais limpos e com redução do tempo de espera para os passageiros.

É um equivoco olhar paras as ciclovias apenas como um sistema alimentador dos demais modais de transporte público. Todas as cidades do mundo precisam de alternativas públicas e privadas ao carro. Em 2013, na Europa foram vendidas mais bicicletas do que carros, num claro sinal de que o automóvel à gasolina começa a se tornar uma tecnologia que vai morrer. O mundo precisa de soluções simples, baratas e não poluentes. Os prejuízos humanos e materiais que a cidade travada por carros provoca são incalculáveis. Muitas pessoas perdem 4 anos de suas vidas no trânsito. São Paulo agora precisa estimular o comércio, a indústria e o setor de serviços a implantar bicicletários e vestiários para os funcionários. Ciclovias, faixas exclusivas, o novo Plano Diretor e o Arco do Futuro são projetos que irão melhorar a vida dos paulistanos, reduzindo as distâncias entre moradia e trabalho, diminuindo a poluição e produzindo ganhos de bem viver.

Aldo Fornazieri – Cientista Político e Professor da Escola de Sociologia e Política.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

INVESTIMENTOS RECORDES EM SÃO PAULO


Paulo Fiorilo

Moradores que poderiam pagar um IPTU justo terão de arcar com valores mais altos, devido a uma política que ainda beneficia a camada mais rica

Nunca se investiu tanto em São Paulo como agora. A gestão Fernando Haddad foi a que mais aplicou recursos em um primeiro ano de prefeitura na comparação com governos anteriores. Foram R$ 3,7 bilhões em 2013, contra R$ 2,1 bilhões em 2009 e R$ 678 milhões em 2005.

Em artigo nesta Folha ("Má administração requer mais impostos", 12/2), o vereador do PSDB Floriano Pesaro fala de "inoperância" da atual gestão. Os dados apontados acima são a melhor resposta aos ataques e comprovam o que o paulistano já sabe: os serviços municipais vêm recuperando qualidade.

Ao longo de 2013, a prefeitura recuperou o tempo perdido. Com diálogo direto com a presidente Dilma, diversas áreas tiveram ampliados os aportes de recursos do governo federal. Um exemplo foi a inclusão de 98 mil famílias no Cadastro Único e a aprovação do Bolsa Família para 111 mil famílias.

Um esforço intersecretarial deu origem ao Braços Abertos, programa inovador para lidar com o problema da drogadição, em especial o consumo de crack. Na saúde, o crescimento da Rede Hora Certa reduziu a fila por exames e procedimentos, que crescia 25% ao ano. E ainda neste semestre, o hospital Santa Marina, recém-adquirido pela prefeitura, voltará a atender a região sul.

Na educação, a mudança nos ciclos aperfeiçoa a alfabetização, acaba com a aprovação automática e evita que crianças cheguem aos dez anos sem saber ler e escrever. Parceria com o governo federal fez dos CEUs polos da Universidade Aberta do Brasil, que já contam com 168 turmas, e do Pronatec, com 11 mil matrículas. Na área de habitação, a prefeitura entregou 1.890 moradias e possui 22 mil unidades em andamento ou já contratadas. Tudo isso por conta da adesão ao Minha Casa, Minha Vida.

No transporte, foi criado o Bilhete Único Mensal e foram implantadas mais de 300 quilômetros de faixas exclusivas. A velocidade média dos ônibus cresceu mais de 40% e o cidadão que utiliza o sistema de transporte ganhou, em média, meia hora por dia.

A gestão Haddad também criou as secretarias de Políticas para as Mulheres e de Promoção da Igualdade Racial, que atendem demandas históricas desses setores, além da Controladoria geral do Município. Para isso, foram criados 348 cargos, e não 1.200.

Em 2013, a prefeitura também trabalhou por um novo projeto de IPTU que fosse mais justo para a cidade. A proposta previa ampliação da faixa de isenção, criação de descontos para aposentados não isentos, reajuste abaixo da inflação para cerca de 300 mil contribuintes e redução para outros 227 mil.

O mesmo PSDB que foi à Justiça para suspender esse projeto aprovou um reajuste muito maior e mais pernicioso em 2009. Naquele momento, nem PSDB nem Fiesp buscaram a Justiça.

Infelizmente, em nome da disputa política e da demagogia, os maiores prejudicados são moradores da periferia, aposentados, pais e mães de família que poderiam estar isentos ou pagar um imposto adequado ao seu imóvel, mas terão de arcar com valores mais altos, por causa de uma política fiscal injusta que continua beneficiando apenas a camada mais rica.



PAULO FIORILO, 50, mestre em ciências políticas, é vereador de São Paulo e presidente do diretório municipal do PT

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

PT FÓ/BRASILANDIA FARÁ 1ª REUNIÃO DO ANO


NOVA GESTÃO - O Diretório Zonal da Freguesia/Brasilandia está com nova direção partidária.O Presidente Milton Galdino (Miltinho) e a nova executiva se reuniram no último dia 15 para preparar a 1ª reunião ordinária do PT local. Na pauta será discutida a reativação de vários setoriais que poderão debater e construir propostas de políticas públicas para a região. A relação entre partido e governo também será ponto de pauta, além da organização do diretório para o ano de 2014. A reunião é aberta a todos os filiados petistas e será no dia 01 de fevereiro as 10 horas da manhã, na sede do diretório que fica na Avenida Itaberaba, 2214.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

NOVO COMANDO DO PT VAI TER DE ENFRENTAR GRANDES DESAFIOS

artigo publicado no jornal "Folha de SP" 26/01/13 Em tempos de vacas magras, partidos e lideranças identificados com a corrupção costumam ser destruídos ALDO FORNAZIERI ESPECIAL PARA A FOLHA O PT terá, em novembro, o processo de eleições diretas para escolher suas novas direções. No plano nacional, o atual presidente da sigla, Rui Falcão, deverá ser reconduzido a um novo mandato. Para muitos observadores, isso chega a ser surpreendente, pois Falcão é tido como um "linha-dura". Mas sua gestão parece negar essa fama. Existem duas razões que fazem com que ele agregue um amplo apoio: vem exercendo a presidência com posições ponderadas e equilibradas no que diz respeito ao posicionamento público do partido e com diálogo interno com todas as correntes. Dois pontos exemplificam isso. Primeiro: em relação à ação penal 470 (mensalão), Falcão defendeu o partido e os condenados, mas desestimulou propostas que levariam o PT a uma aventura, com atos e manifestações de rua para contestar as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo: ante críticas de sindicalistas e de outros setores petistas ao governo, com proposições de substituição de Dilma como candidata em 2014, Falcão se mantém firme na defesa da presidente e da candidatura dela à reeleição. Do ponto de vista interno, ele apaziguou determinados conflitos, substituindo o estilo mandonista de outros presidentes por uma conduta discreta e de diálogo com todas as outras correntes, mantendo uma certa independência em relação a forças poderosas. Se reeleito, Rui Falcão e a nova direção partidária terão de enfrentar alguns desafios. O de maior magnitude será o de consolidar uma ampla aliança para reeleger Dilma. O segundo maior desafio será o de conferir uma maior consistência programática de sentido estratégico ao PT, orientada para pensar o presente do Brasil com vistas ao futuro. O país carece de partidos com maior consistência programática e estratégica. O terceiro desafio consistirá em estancar a identificação do PT como um partido corrupto. A opinião pública tolera essa identificação enquanto os governos desse partido produzirem bons resultados econômicos e sociais. Mas, em tempos de vacas magras, partidos e lideranças identificados com a corrupção costumam ser destruídos. ALDO FORNAZIERI é diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP)

domingo, 20 de janeiro de 2013

GOVERNO DO PSDB: PINHEIRINHO: APÓS 1 ANO, NINGUÉM AINDA TEM CASA

Área no interior onde viviam 8 mil pessoas e ocorreu uma das mais violentas ações de reintegração de posse do País hoje só tem mato, cercas e vigias Há um ano, o Pinheirinho - terreno de 1,3 milhão de metros quadrados em São José dos Campos - foi palco de uma das maiores violnecia de reintegração de posse do País. Mais de 2 mil policiais militares retiraram da área 8 mil pessoas que viviam ali desde 2004. Não houve tempo de reação e o "exército" que havia se armado de porretes, caneleiras de PVC e capacetes de moto foi surpreendido pelo Choque. Matéria do O Estado de S.Paulo Hoje, a área tem apenas mato, cercas e seguranças privados espalhados para evitar uma nova invasão - a calçada do lado de fora virou uma minicracolândia. O terreno foi devolvido à massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas, como ordenou a juíza Márcia Faria Mathey Loureiro. A manhã de 22 de janeiro de 2012 mudou a vida de 1.500 famílias. Entre elas, a do cabeleireiro Jaime Rocha do Prado, de 62 anos, ex-coordenador da capela que havia no local. Sem casa e sem emprego - ele perdeu o salão dentro Pinheirinho -, Prado dormiu com a mulher e os filhos no chão da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que recebeu parte dos desabrigados. E ainda sofre com as lembranças. "Muitas pessoas tiveram crises de ansiedade e depressão. Eu mesmo engordei 10 quilos." Correr e cair em meio às bombas e balas de borracha, com a barriga de 6 meses de gravidez, foi só o prenúncio das dificuldades que a camareira Charlene da Silva, de 29 anos, e as duas filhas enfrentariam. "Dormia no meio de pombas mortas, gente usando droga. Quase perdi meu bebê", diz. Após passar por várias casas, ela hoje mora em dois cômodos cheios de umidade, por R$ 400 ao mês. "Minha filha recém-nascida vive doente." Os desalojados recebem auxílio-aluguel de R$ 500 mensais, mas o valor dos imóveis dobrou de preço nos bairros próximos ao Pinheirinho. Muitos partiram para áreas de risco, vivendo em casas abandonadas no Rio Comprido. Outros optaram pela zona rural, como a diarista Ana Paula Pardo da Silva, de 35 anos. Ela se mudou para uma chácara com os quatro filhos e o marido, Kleverton dos Santos, de 38 anos, que perdeu o emprego de carpinteiro ao descobrirem que era ex-morador do Pinheirinho. "Tem muito preconceito. Ele tinha carteira assinada e tudo." No dia da reintegração, a faxineira Tereza Meireles, de 50 anos, seguia para a missa matinal quando cruzou com o Choque. Teve 10 minutos para juntar peças de roupa e deixar o local. Hoje, mora em uma casa paga com o auxílio-aluguel. "Durmo imaginando que isso não é meu." A desocupação do Pinheirinho provocou uma avalanche de ações judiciais contra o Estado de São Paulo. Até a semana passada, 1.075 famílias haviam procurado a Defensoria Pública para pedir indenizações por danos morais e materiais, além de relatar casos de abuso policial durante a reintegração de posse. A Defensoria deverá divulgar até o fim deste mês um relatório consolidado sobre as ações movidas pelos desalojados. Entre as reclamações, 570 famílias afirmaram que a Polícia Militar atirou bombas de efeito moral em suas casas, usando até mesmo helicópteros na ação. Os dados da Defensoria mostram também que integrantes de 239 famílias foram atingidos por balas de borracha. Outras 112 famílias sofreram com violência física e 367, verbal. "Foi um sucesso militar e um fracasso para os direitos humanos", afirma o defensor público Jairo Salvador de Souza, responsável pelo acompanhamento dos casos. "Houve também a desmoralização dos pais diante dos filhos, de forma proposital, para quebrar a estrutura familiar. Policiais gritavam 'diga para eles que quem manda aqui é o Choque, não você'. Também ameaçavam matar os animais de estimação, caso não desocupassem as casas." O relatório mostra que 3% das casas foram incendiadas e 34%, demolidas com bens dentro. "Foi um catálogo de erros - 1% da população da cidade foi removida de casa em uma manhã", diz Souza. Uma semana antes da reintegração, sinalizando uma possível resistência, moradores posaram para fotos "armados" com paus, estilingues e ferramentas, como facões e enxadas. Humilhação. O pedreiro Antonio Chaves Gomes, o Ceará, de 32 anos, lembra da forma como foi retirado da casa onde morava havia seis anos. "Peço a Deus para que nunca mais aconteça isso comigo. Foi tudo muito rápido, na base do tiro. Uma humilhação muito grande." Hoje, ele é vizinho do também pedreiro Aguinaldo de Jesus Santos, de 45 anos, que lembra com tristeza da ação policial. "Tinha helicóptero em cima e polícia cercando o terreno. Eles jogaram muitas bombas. Mesmo quem queria sair não conseguia."