Na primeira reunião ministerial, marcada para amanhã, presidente vai exigir de sua equipe o cumprimento de resultados por setores do governo, impondo um estilo mais ”empresarial” de administração; agências reguladoras terão padrão ”técnico”
Metas. Dilma, com ministros: superávit de 3% do PIB e crescimento de 5%, ajudado pela demanda de alimentos e commodities
João Bosco Rabello – O Estado de S.Paulo
Na primeira reunião ministerial de seu governo, marcada para amanhã, a presidente Dilma Rousseff comunicará sua decisão de impor um forte ajuste nos gastos públicos, especialmente com custeio, que será monitorado de forma rigorosa pelo governo.
Ela reforçará a advertência de que as indicações políticas serão respeitadas, mas que os titulares das pastas terão de se comprometer com resultados que serão cobrados, conforme antecipou reportagem do Estado publicada no domingo. Para as agências reguladoras, nenhuma concessão: as indicações têm de ser necessariamente técnicas e passar pelo seu crivo pessoal.
Na cabeça da presidente está um conceito de governança empresarial, nos moldes do setor privado, que produza um mapa da eficiência de cada área do governo – do primeiro aos demais escalões. O instrumento desse controle será um novo conselho – de Gestão e Competitividade -, ligado diretamente à Presidência da República.
Controle. Esse formato obrigará cada ministro a fixar metas de redução de custos e de realizações, apresentando-as nas reuniões ministeriais periódicas, confrontando-as com os resultados dos demais colegas e justificando no plenário os critérios empregados. Informará o que cortou, onde cortou e quanto cortou. E o quanto realizou no contexto dos cortes.
Não se conhece ainda, no governo, a composição desse novo conselho, mas há uma certeza: dele fará parte o empresário Jorge Gerdau, do grupo que leva seu nome, interlocutor com prestígio junto à presidente e inspirador de sua criação.
A administração dos recursos não se limitará aos cortes no custeio da máquina pública, mas também a uma revisão que traga seletividade aos gastos. “Fazer mais com menos, melhorando a qualidade dos gastos”, resumiu uma fonte palaciana.
Investimentos. Dilma não utiliza em nenhum momento a expressão ajuste fiscal, mas deixará claro que vai manter o nível de investimentos que se viabilizará com a redução de custos do governo. Dirá que, no Brasil de hoje, crescimento não gera crise nem inflação.
Ela considera que o País viveu em 2010 um crescimento maior que no período Ernesto Geisel. E acha que ele pode crescer puxado por uma taxa de investimentos acima de 20%. Estima um superávit primário correspondente neste momento a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e crescimento médio de 5% ajudado também pela demanda crescente de alimentos e commodities.
Dilma tem tratado com reservas o tema cambial, mas já confidenciou a interlocutores próximos considerar que o Brasil paga o ajuste da crise de forma indevida, pois fez o chamado dever de casa: câmbio flutuante, superávit maior que a maioria dos países, déficit nominal pequeno e ainda enfrenta protecionismos e a prática de dumping.
E que há uma tolerância com medidas de controle cambial que estão sendo adotadas em outros países. “Parece que querem controles cambiais para todos, menos pro Brasil.”
Adequação. Ela tem dado sinais de que exercerá um programa monitorado para não deixar vulnerável o País. Tem chamado de linha “macroprudencial” esse processo de adequação permanente à crise internacional, como faz a China.
Mas no governo ninguém descarta a hipótese de novas medidas cambiais para conter a valorização excessiva do real. Segundo assessores, Dilma cita com frequência o episódio protagonizado pelo primeiro-ministro inglês Winston Churchill (1874-1965), que após negar alterações no câmbio e ser desmentido horas depois pelos fatos, deu de ombros: “Isso é o câmbio.”
A dificuldade de conciliar todos esses objetivos com ministérios historicamente guiados pelos interesses da política partidária é um dilema que frequenta as preocupações da presidente.
Para estabelecer um limite aos ministros, costuma filosofar: “Não quero a virtude dos homens, mas a das instituições”. Segundo ela, a máquina pública tem de ser transparente e comprometida com a ética e a prática republicanas.
Blog do Diretório Zonal da Freguesia do Ó e Brasilândia do Partido dos Trabalhadores na Cidade de São Paulo - SP
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
GOVERNADOR DE SP QUER NEGOCIAR COM DILMA ESTE MÊS
Autor(es): Cristiane Agostine | De São Paulo
Valor Econômico - 12/01/2011
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), desconversou ontem sobre a eventual venda da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) para o governo federal e afirmou que a prioridade de sua gestão será negociar o aumento do prazo de concessão de usinas da estatal. O tucano espera conversar com auxiliares da presidente Dilma Rousseff ainda neste mês sobre a situação da empresa.
"Não tem nada definido", desconversou Alckmin, ao ser questionado sobre a venda da Cesp. "Primeiro vamos discutir a renovação da concessão", afirmou. A concessão de duas das maiores usinas da empresa, Jupiá e Ilha Solteira, acaba em 2015. Ontem, o jornal "Folha de S.Paulo" informou que o governo paulista estuda a possibilidade de vender a Cesp para Furnas, empresa controlada pela Eletrobrás, que pertence à União. Nos bastidores, a negociação é vista como uma boa bandeira para o governador de São Paulo aproximar-se de Dilma. O governador paulista tem dito que espera manter boas relações com o Planalto.
O secretário de Energia, José Anibal, no entanto, disse ontem que a venda da Cesp para o governo federal é "uma hipótese" estudada pela gestão Alckmin. Anibal ponderou que existem "outras possibilidades" para a estatal, como vender a Cesp para empresas privadas, caso o prazo de concessão seja aumentado. O secretário disse que não há "ansiedade" do governo para privatizar a estatal.
Segundo Anibal, uma das hipóteses cogitadas pelo governo paulista seria a venda ser feita nos mesmos moldes do banco Nossa Caixa, pela gestão anterior, de José Serra (PSDB), ao Banco do Brasil.
Se confirmada essa possibilidade, a venda da estatal para o governo federal representaria um aceno de Alckmin ao governo federal. Em seu mandato anterior, Alckmin teve uma relação conflituosa com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste ano, quando tomou posse, o tucano fez um discurso conciliador, demonstrando interesse em fazer mais parcerias com o governo da presidente Dilma.
No governo Alckmin, a Cesp é presidida por Mauro Arce, que já ocupou o cargo de secretário de Energia no governo de Mário Covas (PSDB), e de Transportes na gestão de José Serra (PSDB). Arce já foi presidente da Sabespe diretor da própria Cesp . Quando assumiu o posto, o presidente da estatal disse que privatização da companhia só seria discutida após a definição sobre a renovação das concessões.
O governo Serra cogitou vender a Cesp em uma operação de federalização semelhante à de Nossa Caixa e Banco do Brasil, em que a Eletrobrás assumiria o controle da Cesp. A estatal federal de energia poderia formar um consórcio com Furnas e empresas privadas. Na época, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão (PMDB), negou a hipótese e disse que a Eletrobras só entraria em licitações e concorrências para geração de energia nova.
Valor Econômico - 12/01/2011
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), desconversou ontem sobre a eventual venda da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) para o governo federal e afirmou que a prioridade de sua gestão será negociar o aumento do prazo de concessão de usinas da estatal. O tucano espera conversar com auxiliares da presidente Dilma Rousseff ainda neste mês sobre a situação da empresa.
"Não tem nada definido", desconversou Alckmin, ao ser questionado sobre a venda da Cesp. "Primeiro vamos discutir a renovação da concessão", afirmou. A concessão de duas das maiores usinas da empresa, Jupiá e Ilha Solteira, acaba em 2015. Ontem, o jornal "Folha de S.Paulo" informou que o governo paulista estuda a possibilidade de vender a Cesp para Furnas, empresa controlada pela Eletrobrás, que pertence à União. Nos bastidores, a negociação é vista como uma boa bandeira para o governador de São Paulo aproximar-se de Dilma. O governador paulista tem dito que espera manter boas relações com o Planalto.
O secretário de Energia, José Anibal, no entanto, disse ontem que a venda da Cesp para o governo federal é "uma hipótese" estudada pela gestão Alckmin. Anibal ponderou que existem "outras possibilidades" para a estatal, como vender a Cesp para empresas privadas, caso o prazo de concessão seja aumentado. O secretário disse que não há "ansiedade" do governo para privatizar a estatal.
Segundo Anibal, uma das hipóteses cogitadas pelo governo paulista seria a venda ser feita nos mesmos moldes do banco Nossa Caixa, pela gestão anterior, de José Serra (PSDB), ao Banco do Brasil.
Se confirmada essa possibilidade, a venda da estatal para o governo federal representaria um aceno de Alckmin ao governo federal. Em seu mandato anterior, Alckmin teve uma relação conflituosa com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste ano, quando tomou posse, o tucano fez um discurso conciliador, demonstrando interesse em fazer mais parcerias com o governo da presidente Dilma.
No governo Alckmin, a Cesp é presidida por Mauro Arce, que já ocupou o cargo de secretário de Energia no governo de Mário Covas (PSDB), e de Transportes na gestão de José Serra (PSDB). Arce já foi presidente da Sabespe diretor da própria Cesp . Quando assumiu o posto, o presidente da estatal disse que privatização da companhia só seria discutida após a definição sobre a renovação das concessões.
O governo Serra cogitou vender a Cesp em uma operação de federalização semelhante à de Nossa Caixa e Banco do Brasil, em que a Eletrobrás assumiria o controle da Cesp. A estatal federal de energia poderia formar um consórcio com Furnas e empresas privadas. Na época, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão (PMDB), negou a hipótese e disse que a Eletrobras só entraria em licitações e concorrências para geração de energia nova.
EM 10 DIAS, DILMA MOSTRA ESTILO DISCRETO

Discrição marca os primeiros dias de Dilma
Autor(es): Cristiano Romero e Rosângela Bittar | De Brasília
Valor Econômico - 12/01/2011
Há dez dias no cargo, a presidente Dilma Rousseff mostra um estilo de governar inteiramente distinto do de seu antecessor. Chega mais tarde que Lula ao Planalto, entre 9h e 9h30, e sai mais tarde, por volta das 21h30 ou 22h. Começa reuniões religiosamente no horário e não tolera atrasos.
Há dez dias no cargo, a presidente Dilma Rousseff começa a mostrar um estilo de governar inteiramente distinto ao de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. A começar pelos horários. Dilma chega um pouco mais tarde que Lula ao Palácio do Planalto - entre 9h e 9h30 -, mas, geralmente, sai mais tarde - em média, entre 21h30 e 22h. Ao contrário do ex-presidente, começa as reuniões no horário e não tolera atrasos.
Em apenas uma semana e meia, a presidente demonstrou estar muito à vontade no cargo. Seu interesse pela gestão é primordial. Ontem, ela decidiu de última hora participar de uma reunião interministerial, na Casa Civil, agendada para debater o problema da dengue. Ao chegar lá, solicitou, como é de praxe em seus encontros com ministros, um diagnóstico detalhado da situação da doença em todo o país. Depois, cobrou ações, fez raciocínios junto com os presentes e tomou uma decisão: propor um pacto contra a dengue aos Estados mais afetados pela epidemia.
Também diferentemente do ex-presidente Lula, Dilma é discreta. Nestas duas primeiras semanas de gestão, evitou o tipo de exposição pública permanente que seu antecessor adorava ter. Em oito anos de mandato, foi difícil ver Lula um dia sequer sem fazer discursos em algum lugar. "Dilma já desceu do palanque e não vai subir mais", revelou um colaborador.
A presidente discursará pouco, dará entrevistas menos ainda, mas vai conversar com grupos pequenos de jornalistas, em caráter informal, para estabelecer uma comunicação permanente e que lhe permita dialogar com a sociedade. Dilma gosta de discrição e austeridade, e nestes dez dias demonstrou que o estilo "low profile" da transição não era apenas para evitar fazer sombra a Lula enquanto ele ainda estava no poder, mas também seu estilo de executiva total.
Dilma gosta de trabalhar com planejamento. Sua rotina é metódica. Ainda vivendo na Granja do Torto - o Palácio da Alvorada só a receberá e à sua mãe e uma tia depois de passar por uma pintura -, ela acorda às 6h30, caminha na esteira por 45 minutos, lê os jornais e só depois se dirige ao Planalto.
No gabinete, antes de mais nada, a presidente se reúne com um auxiliar direto - Gilles Carriconde Azevedo (chefe de gabinete) - e os chamados ministros da Casa - Antonio Palocci (chefe da Casa Civil), o general José Elito Carvalho Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional) e Helena Chagas (Comunicação). Nesse momento, recebe um briefing completo de cada um sobre suas respectivas áreas de atuação.
Por enquanto, a agenda diária da presidente está repleta de encontros com ministros. Não apareceram ainda empresários, banqueiros e personalidades. Praticamente todas as reuniões são acompanhadas por Palocci. O ministro que mais tem ido conversar com ela é o da Fazenda, Guido Mantega. Outro que sempre aparece, muitas vezes sem avisar, é José Eduardo Cardozo, titular da Justiça.
O principal assunto tratado pela presidente até agora foi, do ponto de vista político, a relação com o PMDB. Do ponto de vista administrativo, a tarefa essencial foi estruturar a forma de trabalhar com os ministros, de conduzir o governo.
A presidente pretende evitar viagens em excesso. Sua agenda internacional é modesta perto do estilo "globetrotter" de Lula, embora tenha propósitos claros. Neste primeiro semestre, ela vai à Argentina e ao Uruguai para mostrar a prioridade que a América do Sul terá em sua política externa. Depois, irá ao Peru para participar da Cúpula América do Sul - Países Árabes.
Mais adiante, Dilma visitará os Estados Unidos com o propósito de se aproximar do presidente Barack Obama, com quem Lula não desenvolveu uma boa relação, e, desta forma, fortalecer uma parceria tradicional da política externa brasileira. Depois, visitará a China para participar da reunião dos Brics, o grupo de países emergentes do qual também fazem parte Índia e Rússia. Antes de iniciar, portanto, o chamado diálogo Sul-Sul, ela vai se avistar com os americanos.
A presidente não deve ir a Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, como fez Lula em seu primeiro mês de Presidência. Julga que, ao contrário do ex-presidente, não tem a necessidade de ir àquele fórum porque, agora, o Brasil não está em crise. Ela não fechou totalmente a possibilidade dessa viagem, mas a tendência é ficar em Brasília.
Dilma pretende, também, cumprir as promessas e as expectativas que criou na campanha eleitoral e no período de transição. Nestes primeiros dias de gestão, deu indicações, por exemplo, de que pretende respeitar a autonomia operacional conferida ao Banco Central. Ao contrário de alguns rumores, ela não opinou sobre as medidas cambiais anunciadas por Alexandre Tombini, presidente da instituição. "São medidas do BC. Ponto", observou um auxiliar.
ALCKMIN PROMETE OBRAS, PARA OUTRO VERÃO

De acordo com o governador, “não é possível fazer obra em 24 horas”
Sobre transbordamento do rio Tietê, tucano alegou ser necessário um trabalho “eterno” de desassoreamento
ALENCAR IZIDORO – FOLHA SP
DE SÃO PAULO
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) culpou “uma chuva excepcional” pelos transtornos e anunciou obras para atenuar enchentes -mas que só terão impacto nos próximos verões.
“Não é possível fazer obra em 24 horas”, disse Alckmin, cujo partido está há 16 anos no comando do Estado. Ele havia sido questionado pela Folha se não haveria nada para evitar novo transbordamento do Tietê neste verão.
A obra bilionária de rebaixamento da calha na gestão anterior de Alckmin visava eliminar alagamentos pelo transbordo do rio -previa só um em cem anos, mas houve ao menos cinco desde 2006.
Alckmin alegou ser necessário um “eterno” desassoreamento e disse que há hoje 2,1 milhões de m3 que precisam ser retirados do Tietê.
Ele disse que vai retirar tudo até dezembro, mais que dobrando a quantidade de 1 milhão m3 desassoreada em 2010 e prevista neste ano.
Prometeu ação semelhante no rio Pinheiros e na região da Barragem da Penha. Disse que essas obras prosseguem hoje em dia, mas que “as chuvas atrapalham”.
Ao lado do prefeito Gilberto Kassab (DEM), Alckmin evitou se comprometer em acabar com as enchentes.
O tucano disse que “os problemas serão minimizados” com obras de R$ 800 milhões em seu mandato.
Entre elas, piscinões (como na divisa de SP e São Caetano do Sul) e um amplo parque na várzea do Tietê.
“Não quer dizer que nunca vai ter”, disse Alckmin. “É impossível qualquer administrador do mundo prometer que qualquer intervenção vai liberar a região de um alagamento”, disse Kassab.
Sem obras imediatas de impacto, Alckmin divulgou ações de auxílio à prefeitura.
Ao falar da “chuva excepcional”, Alckmin citou 125 mm. O pico na Grande SP foi em Guarulhos, com 118 mm.
Também anunciou a compra de bombas para aumentar em 60% a capacidade de reverter as águas do Pinheiros para a Billings. Mas elas só chegam em dois anos.
Um decreto vai prever R$ 1.000 a famílias atingidas em áreas de calamidade.
KASSAB CULPA A CHUVA. UMA SAÍDA USADA HÁ 24 ANOS

Esse sempre foi o argumento dos prefeitos nos últimos 24 anos. No entanto, meteorologia mostra que temporais não fogem à regra
Rodrigo Burgarelli, Bruno Ribeiro e Paulo Saldaña – O Estado de S.Paulo
Em São Paulo chove e chuva provoca enchente. A explicação tem sido repetida pelos prefeitos da cidade há 24 anos. E foi repetida ontem por Gilberto Kassab (DEM). “Cada vez mais chove mais.” Desde 2006, quando assumiu a Prefeitura, o discurso do prefeito é de que a cidade está preparada para enfrentar as chuvas ou que a daquele momento superou a expectativa. Ontem, não foi diferente. “Já tivemos um volume de chuva correspondente a 93% da média de janeiro dos últimos anos, o que mostra sua intensidade”, disse.
Dados meteorológicos históricos, no entanto, mostram que tempestades assim, com mais de 20 mm de chuvas por horas, são típicas de janeiro e ocorrem em todos os verões. É o que se observa nos registros no meses de janeiro dos últimos 10 anos. Nesse período, houve temporais dessa magnitude em 59 dias de janeiro – e, como prova de que a chuva não é distribuída igualmente por todo o mês, em 126 dias de janeiros da última década não choveu nenhuma gota em São Paulo.
A própria média histórica de precipitação esperada para o mês, de 239 mm, já foi superada várias vezes na última década, quando oito em dez verões tiveram mais chuva que o esperado. O valor esperado para o mês é baseado em dados pluviométricos colhidos na cidade entre 1961 e 1990, mas, mesmo assim, autoridades não revisaram as diretrizes para o combate das tempestades. A chuva entre a noite de anteontem e a manhã de ontem representou 68,8 mm. Neste mês, a cidade já registrou 221,2 mm de chuva.
Ao ser questionado ontem se a capital está de fato preparada para os temporais, Kassab não respondeu. Disse apenas: “A chuva que acontece na cidade de São Paulo tem alguns pontos de alagamento com mais intensidade e outros com menor intensidade.” O posicionamento difere do adotado por ele em 2010: “A cidade está mais bem preparada para as enchentes.” Sobre o mapeamento de áreas de risco, prometido para junho de 2010, o prefeito negou que o estudo fosse ser utilizado neste verão.
Alagados. Locais simbólicos, que todo verão acabam afetados pela chuva, também voltaram a sofrer com alagamentos ontem. Pelo menos sete ruas da Vila Itaim, bairro vizinho do Jardim Romano, em São Miguel Paulista, zona leste, ficaram debaixo d”água. Algumas delas, inclusive, já estavam alagadas desde sábado, mas sem que a água invadisse as casas – o que ocorreu ontem, destruindo móveis, danificando carros e forçando as famílias a retirarem de casa o que podiam.
Ruas como a Capachós, do Jardim Romano, que ficou submersa por várias semanas no verão passado, não encheram. Moradores da Vila Itaim, porém, reclamam que as obras da Prefeitura e do governo estadual no Rio Tietê (um dique e um piscinão) privilegiaram algumas, esquecendo do restante da região.
No bairro, o nível da água chegou a quase um metro de altura e não poupou nenhum cômodo da casa da aposentada Olinda Auxiliadora, de 70. Depois de “perder tudo” em 2009 na enchente do Jardim Romano, mudou-se para o bairro para fugir das enchentes e viu a história se repetir. “Só a TV ficou em cima da estante. Sofá, móveis e geladeira com comida ficou tudo debaixo d”água.”
Ontem à tarde, a Defesa Civil instalou uma base móvel para atender a população do bairro. A Prefeitura informou ter constatado uma rua com “pequenas laminas d”água” no sábado. Segundo nota, o sistema de drenagem de bueiros e galerias da região estaria ligado diretamente ao Rio Tietê, o que ocasionaria um “refluxo da água”.
As reações do prefeito
GILBERTO KASSAB
18 DE SETEMBRO DE 2006
“Foi a Lei de Murphy (alagar o Túnel do Anhangabaú)”
8 DE FEVEREIRO DE 2007
“Eu sempre digo que chover é muito bom. E nos últimos meses as chuvas têm mostrado que a Prefeitura está preparada para receber as enchentes”
22 DE FEVEREIRO DE 2008
“Se as administrações anteriores tivessem investido o volume de recursos que nós temos investido, a cidade estaria em uma situação bem mais favorável”
22 DE DEZEMBRO DE 2008
“São Paulo pode esperar uma presença firme da Prefeitura para evitar transtornos”
8 DE SETEMBRO DE 2009
“A Prefeitura está preparada de acordo com a dimensão dos investimentos na cidade nos últimos 50 anos”
9 DE DEZEMBRO DE 2009
“O que tivemos foi uma chuva intensa, localizada, e o transbordamento do Rio Tietê”
21 DE JANEIRO DE 2010
“O que mais uma vez causou esses pontos de alagamento não foi apenas o excesso de chuva, mas também o crescimento desordenado”
5 DE JANEIRO DE 2011
“O que aconteceu ontem foi chuva, foi água”
COM CAIXA CHEIO, KASSAB NÃO USA VERBA RESERVADA
Locais com obras planejadas há anos, como Pompeia, voltaram a alagar
Enquanto a prefeitura usa só parte do dinheiro em córregos e piscinões, verba publicitária bate novo recorde na gestão
JOSÉ BENEDITO DA SILVA – FOLHA SP
DE SÃO PAULO
No ano em que a prefeitura bateu recorde de arrecadação de impostos, a gestão Gilberto Kassab (DEM) investiu menos do que estava previsto no Orçamento em projetos antienchente -parte dos locais que receberiam essas intervenções voltou a alagar.
Segundo a Secretaria de Planejamento, no ano passado, as receitas de impostos cresceram 20,4%, puxadas pelo IPTU (alta de 26,2%), que colocou R$ 835 milhões a mais nos cofres da prefeitura em relação ao ano anterior.
O valor extra é quase o dobro do que Kassab gastou com intervenções antienchente (R$ 430 milhões de um total previsto de R$ 504 milhões). Projetos como canalização de córregos e construção de piscinões tiveram gastos abaixo do previsto.
Parte dos locais alagados nos últimos dias tem obras planejadas há anos, mas que continuam no papel. Em um deles, no final de dezembro, morreu a professora Michele Borges, 29, arrastada pelas águas do córrego Ponte Baixa, em M’Boi Mirim, zona sul.
Tivessem prevalecido os planos da prefeitura, o córrego já estaria canalizado. A obra é incluída no Orçamento desde 2005. Em 2010, a prefeitura previa gastar R$ 20 milhões, mas nada foi feito.
Outro local que alagou anteontem foi a praça General Oliveira Álvares, na Vila Madalena (zona oeste), onde deveria ser feito um piscinão. A prefeitura fez a licitação em 2008, contratou a empresa em 2009, mas nada foi feito.
Em uma das regiões que mais alagam, a Pompeia (zona oeste), a prefeitura nunca tirou do papel o piscinão planejado há anos. Recentemente, o projeto mudou para galerias. Sem a solução prometida, o local deixou carros ilhados no temporal.
PUBLICIDADE
Entre a noite de anteontem e ontem, ao menos seis córregos transbordaram. Investimentos nessa área, como limpeza e canalização, fecharam 2010 abaixo do previsto.
Em outras áreas, a prefeitura gastou o que previa, como em publicidade -R$ 108,9 milhões, quase o dobro de 2009 (R$ 57,8 milhões), novo recorde da gestão.
Segundo a Secretaria de Comunicação, o crescimento foi menor pois em 2009 havia R$ 33 milhões para publicidade nos orçamentos das pastas de Educação e Saúde.
Em 2010, a verba foi utilizada, segundo a prefeitura, em campanhas como as de prevenção da dengue e gripe A e na divulgação de eventos como a Virada Cultural.
PT VAI PEDIR PRIMEIRA VICE-PRESIDÊNCIA DO SENADO,MAS ADIA DEFINIÇÃO DE NOME

Marcelo Camargo/Folhapress
Reunião do PT do Senado: Marta e Pimentel disputam indicação para cargo na direção da Mesa do Senado, que garante o comando da agenda de votações
Caio Junqueira | VALOR
A bancada do PT no Senado atendeu ao pedido do Palácio do Planalto e decidiu ontem optar pela postulação da primeira-vice presidência da Casa e não da primeira-secretaria, o que significa, na prática, uma escolha mais política do que técnica. Os nomes, porém, só serão definidos no dia 27 de janeiro.
Na vice-presidência, os petistas asseguram o comando da agenda de votações no caso de afastamento do presidente do Senado. Evitam, assim, que ela caia nas mãos da oposição, como ocorreu durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A primeira-secretaria, por outro lado, exerce funções mais administrativas, como a gestão do orçamento do Senado de quase R$ 3 bilhões, despachar a matéria do expediente que lhe for distribuída pelo presidente e receber a correspondência dirigida ao Senado, entre outras obrigações.
Na reunião ocorrida na liderança do PT do Senado, dois ex-ministros eleitos senadores manifestaram interesse pelo cargo: Marta Suplicy (SP) e José Pimentel (CE). Os dois entraram na reunião de ontem dispostos a saírem com uma definição, mas a bancada avaliou que, dado o impasse, o melhor seria adiar a decisão.
Optou-se, então, por definir, primeiramente, o líder do partido para a próxima legislatura, para que ele possa conduzir as negociações pela bancada. Por consenso, o escolhido foi Humberto Costa (PE), que também foi ministro da Saúde no primeiro mandato de Lula. “Entendemos que o ideal é ocuparmos espaços mais para fora do que para dentro. Fatos que aconteceram recentemente também pesam nessa decisão”, afirmou Costa, após sua escolha.
Além da responsabilidade de construir um acordo entre Marta e Pimentel, Costa irá procurar outros partidos para abrir diálogo sobre a composição de um bloco parlamentar no Senado. Será o tamanho desse bloco que definirá os espaços na Casa. Os petistas querem se aliar, pelo menos, ao PR, PRB, PSB, PCdoB e PDT, somando, assim, 30 senadores. Ocorre que o PMDB também articula um bloco com PP, PMN e PTB, que também chegaria a 30 parlamentares.
Os atritos que vêm ocorrendo entre os dois principais partidos da aliança que elegeu Dilma, contudo, não devem entrar pelo Senado. Costa disse que a bancada manterá sua opção pela vice-presidência, ainda que o bloco liderado pelo PT supere o do PMDB. O partido, inclusive, irá apoiar o indicado pelos pemedebistas, provavelmente o atual presidente, José Sarney (AP). “Estamos trabalhando com o respeito à proporcionalidade das bancadas. Vamos, então, acatar o nome que o PMDB indicar, sem qualquer restrição. O PMDB é um aliado forte que foi importante para a eleição de Dilma”, disse.
O partido também deverá apoiar o nome de Eunício Oliveira (PMDB-CE) para a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Casa. Ficará, assim, com a segunda mais disputada, a de Assuntos Econômicos, pela qual Delcídio Amaral (MS) e Eduardo Suplicy (SP) manifestaram interesse ontem.
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