Blog do Diretório Zonal da Freguesia do Ó e Brasilândia do Partido dos Trabalhadores na Cidade de São Paulo - SP

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

DILMA PROMETE "AÇÕES CONCRETAS"




Dilma cita Lula e lembra os R$ 11 bi previstos pelo PAC
Autor(es): A gência o globo : Kelly Lima e Roberta Pennafort -
O Estado de S. Paulo - 14/01/2011


isita às áreas destruídas na região serrana do Rio foi o 1º compromisso público da presidente depois da posse


Com semblante fechado e se dizendo bastante sensibilizada, a presidente Dilma Rousseff declarou que sua ida ao Rio teve como objetivo garantir a realização de ações concretas com o Estado e os municípios para "aliviar, socorrer, amparar e cuidar das vítimas". As Forças Armadas poderão ajudar na reconstrução.

"É um momento muito dramático, as cenas são muito fortes, é visível o sofrimento das pessoas", disse, em sua primeira ação pública depois da posse.

Dilma ressaltou que será necessário um esforço muito grande para reerguer as áreas atingidas. "Em tese, esse não é o papel das Forças Armadas, já que há empresas nacionais especializadas para recompor a infraestrutura. Mas, se for necessário, colocaremos à disposição".

Dilma citou o ex-presidente Lula ao lembrar ações preventivas às quais dará continuidade e lembrou que o governo vai destinar R$ 11 bilhões para ações de saneamento, drenagem e política habitacional, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A presidente pousou em Nova Friburgo após sobrevoar a cidade por 40 minutos com ministros e o governador do Rio, Sérgio Cabral.

Cabral, que estava viajando e ainda não havia falado sobre a tragédia, criticou a "desgraça do populismo". Afirmou que a "tragédia anunciada" se deveu a uma combinação da intensidade inesperada das chuvas com ocupação irregular das encostas. E criticou "políticos demagogos", que evitam coibir, ou até estimulam, construções ilegais em áreas de risco, em troca da simpatia da população mais pobre. "Desde 1988 a Constituição diz que solo urbano é responsabilidade da municipalidade. Tem sempre um político demagogo para fazer uma graça, dizer que é falta de respeito com o pobre, mas temos de tomar uma decisão firme. Nos últimos 25 anos, houve uma ocupação absolutamente irresponsável".

Cabral comparou o efeito das chuvas no Rio e na Austrália, que também tem cidades debaixo d"água. "Caso nós tivéssemos um padrão rígido de ocupação de encostas, teríamos vítimas, mas não tantas. Na Austrália, há mais de 20 mortos, mas não são quase 500. Não quero eximir de responsabilidade os governos federal e estadual. Mas Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo quadruplicaram suas populações nos últimos 40 anos."

Dilma também fez críticas: "Houve no Brasil absoluto desleixo com o local onde moraria a população de baixa renda, que, sem alternativa, foi parar em vala e encosta de morro." Segundo ela, já há no PAC plano de remover pessoas de áreas de risco. "Serve para a região serrana do Rio e para Santa Catarina. Em São Paulo, nas ações com o governo estadual na Billings e Guarapiranga, pudemos remover pessoas para evitar o pior."

MÍNIMO DO PT É DE R$550

O Jornal Correio Braziliense de hoje traz extensa matéria sobre a discussão travada em torno do aumento do salário mínimo dando destaque à posição do Deputado Federal Paulo Teixeira que será o líder da bancada do PT na defesa de um valor acima dos R$ 540.
Base rebelde ao limite de R$ 545
Autor(es): Tiago Pariz Ivan Nunes
Correio Braziliense - 14/01/2011



Partido do governo se une às centrais sindicais e à oposição por um valor maior para o salário. Decisão contraria o Planalto.


Parlamentares aliados, inclusive os do PT, ignoram a decisão da presidente de restringir o salário mínimo a variação da inflação. O recado é de que dificilmente haverá acordo com valor abaixo de R$ 550








Um dia depois de Dilma Rousseff determinar o novo valor do salário mínimo em R$ 545 e pedir suporte da base para aprovação no Congresso, aliados simplesmente ignoraram a posição do Planalto, a começar pelo próprio partido da presidente. O PT foi o primeiro a se rebelar, pregando como "melhor medida", R$ 550. Outras legendas governistas, como PTB e PDT, seguiram o mesmo curso e confirmaram: não abrem sequer o diálogo com o governo por valor abaixo de R$ 550.



Na Esplanada, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, voltou a contestar o reajuste previsto pela equipe econômica (leia abaixo). Por pressão dos ministros, o tema deve voltar à mesa durante a reunião ministerial de hoje. Mesmo com a intervenção direta de Dilma, o cabo de guerra envolvendo os próprios titulares do primeiro escalão tem tudo para continuar.



Entre os petistas a avaliação é de que o valor determinado pela presidente é apenas um ponto de partida para a negociação. Os parlamentares não admitem em público aprovar o mínimo defendido pela equipe econômica. “É justo pensar que, senão tiver o controle direto e contundente, a inflação come o salário mínimo. Mas é preciso buscar uma margem de manobra. Talvez chegar a R$ 550 seja a melhor medida , afirma o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), que será efetivado como líder da legenda na Câmara a partir do próximo mês.



A pedido de Dilma, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci entrou em contato com partidos da base aliada desde o início da semana, sempre com o mesmo apelo: não transformar as discussões sobre o reajuste em palanque. Para os ministros, o pedido foi para que evitem manifestações contra o valor calculado pela equipe econômica para não ampliar as pressões sobre o Planalto.



O PMDB recebeu o recado na segunda – feira. O PP, ma terça, e o PTB, na quarta Os progressistas chegaram a emitir nota garantindo apoio ao valor estabelecido pelo Executivo. Os peemedebistas diminuíram o tom de cobrança, mas nos corredores mantêm a opinião de que o reajuste proposto não contempla o partido. Nas três legendas há parlamentares que já admitem não votar com o governo federal por um mínimo de R$ 545.



O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), disse que a nova sugestão de reajuste já é um avanço, mas admite que será difícil controlar a base: "Certamente haverá pressão por um valor maior. Falei para o Palocci ontem: que não faremos palanque, com essa questão, mas o debate tem de seguir", afirma. O mesmo discurso foi proferido por parlamentares petistas.



O senador Paulo Paim (PT-RS), que fechou com as centrais sindicais pela reivindicação de um salário de R$ 580, admitiu que o valor de R$ 545 e o patamar constitucional, mas pediu que o governo faça um esforço para aumentar o reajuste. "O cálculo atual prejudica o trabalhador porque em 2009 a economia não cresceu. Agora, se em 2010 o resultado foi positivo, o governo poderia dar um aumento maior, a ser compensado no próximo reajuste, em dezembro", pediu Paim.



Pressão paulista



As centrais sindicais ampliaram ontem o coro pelo mínimo de R$ 580 depois que o governador paulista, Geraldo Alckmin, garantiu patamar superior a R$ 600 para a remuneração regional. Tradicionalmente, o estado tem um piso mínimo maior do que o nacional. Hoje, o salário base em São Paulo é de R$ 560.



O tucano pretende cumprir o compromisso de campanha do candidato derrotado à presidência José Serra, que prometeu aprovar os R$ 600. "A secretaria de Emprego vai ouvir as centrais sindicais. Ele deve ser maior que os dois (mínimo nacional e o proposto por Serra), mas vamos conversar", declarou Alckmin. O governador paulista fez a promessa depois de tomar café da manha com sete entidades sindicais, ontem, em São Paulo.





Lupi volta a falar de aumento


O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, retomou a pauta sobre o reajuste do salário mínimo que será votado na volta do recesso dos parlamentares no Congresso Nacional. Ontem, em entrevista coletiva sobre à liberação de FGTS aos trabalhadores que moram em municípios afetados pelas chuvas (leia mais na página 10), ele aproveitou para afirmar que o novo valor do mínimo será decidido no Congresso. "Essa discussão do mínimo é do parlamento, não minha. A proposta do governo já foi emitida por meio de sua medida provisória", disse. A declaração ocorre em meio à recomendação do Palácio do Planalto para que nenhum ministro se manifeste publicamente sobre o tema.



Lupi já defendeu que o mínimo fosse cravado em R$ 560, mas recuou. "O governo tem uma posição. Eu até defendia" antes um salário bem maior. A gente não pode fazer uma lei que se adapte à vontade do ministro ou de qualquer um a cada momento. A lei diz que é crescimento do Produto Interno Bruto mais a inflação do período. Infelizmente, em 2009, por causa da crise, o desempenho da economia foi negativo. Isso levou o trabalhador a não ter um ganho tão grande como nas últimas vezes", afirmou.



Pacto



Paulo Teixeira (PT-SP), novo líder do governo na Câmara, acredita que depois que a presidente Dilma Rousseff entrou na negociação do mínimo, a barganha por cargos entre os partidos aliados passou a não existir. "Isso acabou: Está tudo pactuado", disse. Ele acredita que o governo vá buscar uma posição consensual entre os seus integrantes para votar o patamar ideal para o mínimo.



O valor foi proposto pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2010, por meio de medida provisória. A proposta era aumentar o mínimo de R$ 510 para R$ 540, conforme previa acordo entre as centrais sindicais e o governo de reajustar o valor sempre pela inflação mais a variação do PIB de dois anos antes. A adaptação para R$ 545 foi necessária porque a inflação do período foi ligeiramente maior. As centrais pressionam por R$ 580.

MANIFESTAÇÃO PACÍFICA CONTRA O AUMENTO DO ÔNIBUS TERMINA EM REPRESSÃO POLICIAL


Do site CMI BRASIL
13/01/2011 às 22:49



A manifestação marcada para a tarde de ontem contra o aumento da tarifa de ônibus, organizada pelo Movimento Passe Livre de São Paulo, começou com clima de descontração. Muitos estudantes e militantes de diversas entidades cantavam e tocavam com muita animação. Após sair pacificamente em passeata, os cerca de mil manifestantes percorreram diversas ruas do centro da cidade divulgando a luta para a população.

Ao chegar à praça da República, no entanto, os presentes viram um pequeno tumulto com policiais transformar-se em desculpa para o início de agressiva repressão, majoritariamente pela Força Tática. A violência atingiu rapidamente maiores proporções, apesar das tentativas dos manifestantes de se reunir e retomar a caminhada pacífica. Bombas de gás lacrimôgenio e de efeito-moral foram lançadas indiscriminadamente contra o protesto, assim como atiradas balas de borracha, que atingiram até mesmo repórteres e fotógrafos. Sprays de pimenta e cassetetes também foram usados para agredir diversas pessoas. Apesar de apenas uma pessoa ter sido detida durante o ato, outras 30 foram presas um bom tempo após a dispersão, enquanto caminhavam pelo centro em grupos menores e procuravam conhecidos. As 31 encontram-se encarceradas no 3º DP. Até agora foram contabilizados cinco feridos.

O Movimento Passe Livre de São Paulo marcou para o próximo sábado (15) um debate com tema ?Por que lutar por um transporte público?? às 15h no espaço Ay Carmela! (R. Das Carmelitas, 140 ? Sé). A próxima manifestação foi convocada para o dia 20 de janeiro (quinta-feira), com concentração às 17h na esquina da R. da Consolação com a Av. Paulista.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

DILMA AFIRMA QUE MORADIA EM ÁREA DE RISCO "É REGRA" NO BRASIL




Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira em uma coletiva, após sobrevoar as três cidades no Rio de Janeiro mais afetadas pelas chuvas, que “a moradia em áreas de risco no Brasil é a regra, e não a exceção”.

Segundo a Agência Brasil, que cita informações das prefeituras dos municípios afetados, os deslizamentos já deixaram mais de 400 mortos na região serrana do Rio.

“Houve no Brasil um absoluto desleixo em relação à população de baixa renda, que não tinha onde morar e foi morar aonde? Em fundo de vale, beira de rio, beira de córrego e no morro”, afirmou a presidente.

Também presente à coletiva, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse que as três cidades fluminenses mais afetadas pelas enchentes (Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis) sofriam efeitos de governos municipais anteriores.

“Não quero culpar um ou outro prefeito anterior a eles. Mas, da década de 80 para cá, essas três cidades tiveram um processo muito semelhante ao que houve no Rio e em outras regiões, que é a desgraça do populismo, a permissividade de deixar ocupações irresponsáveis, como se fossem aliados dos mais pobres.”

Políticas habitacionais


Dilma disse que pretende atacar o problema habitacional no Brasil por meio de investimentos públicos. Ela citou o programa federal Minha Casa, Minha Vida, iniciado na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e disse que criaria uma segunda edição do programa.

Ainda assim, segundo a presidente, a prioridade atual é atender as vítimas dos deslizamentos.

“De fato é um momento muito dramático, as cenas são muito fortes, o sofrimento das pessoas é visível, e o risco é muito grande. Agora é a fase de garantir que, através da ação concertada do governo federal, do Estado e dos municípios, possamos socorrer”, disse Dilma.

“Depois vamos entrar no momento da reconstrução”, completou.

Ela afirmou ainda que, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento, R$ 11 bilhões serão destinados à drenagem e à prevenção de deslizamentos nas encostas de cidades brasileiras.

Nova Friburgo

Após o voo, Dilma desceu num campo de futebol em Nova Friburgo e, acompanhada por seis ministros e por Cabral, visitou uma praça coberta de lama e lixo no centro da cidade.

Em seguida, a presidente conversou com moradores da cidade, uma das mais atingidas pelos deslizamentos.

De acordo com a Defesa Civil do Rio, há cerca de 5 mil famílias desabrigadas ou desalojadas em Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis.

Em seu discurso, a presidente afirmou que todas as famílias desalojadas teriam acesso ao benefício de aluguel subsidiado e que a parcela mensal do Bolsa Família seria antecipada para todos os moradores cadastrados das três cidades.

Segundo a presidente, o governo federal também está atento à situação das chuvas em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Espírito do Santo. Dilma disse que se empenharia para que verba federal de R$ 780 milhões destinada aos Estados mais afetados pelas chuvas seja liberada da forma mais “rápida e menos burocrática possível”.

Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quinta-feira que o repasse previsto de R$ 9 milhões para os municípios de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis será antecipado.

Padilha também disse que o Ministério da Saúde arcará com os custos de dois hospitais de campanha que estão sendo montados pela Marinha e pelo governo do Rio na região serrana do Estado.

Ainda segundo o ministro, os seis hospitais federais do Rio suspenderam as cirurgias eletivas para atender as vítimas dos deslizamentos.

DILMA: GABRIELLI FICA NO COMANDO DA PETROBRAS

Dilma: Gabrielli fica no comando da Petrobras

Autor(es): A gência o globo : Ilimar Franco, Isabel Braga e Ramona Ordoñez
O Globo - 13/01/2011

Presidente descarta rumores de que Luciano Coutinho iria para a vaga


BRASÍLIA, RIO e SALVADOR. A presidente Dilma Rousseff não pretende fazer qualquer mudança no comando da Petrobras, presidida por José Sérgio Gabrielli. A propósito das especulações de que ela estaria considerando colocar à frente da estatal petrolífera o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, conforme noticiou ontem O GLOBO, ela afirmou:

- Não tem a menor hipótese. Luciano Coutinho é muito bom no que faz e Sergio Gabrielli é muito bom no que faz.

Dilma questionou ainda a que interesses serviriam a veiculação desses rumores:

- A quem interessa a troca? Tem notícia? Quando eu acordo, pergunto: de onde será que veio?
Como O GLOBO informou ontem, fontes afirmam que Gabrielli teria sugerido recentemente que a prefeitura de Salvador, a ser disputada em 2012, faria parte de seu projeto político. Isso, ainda de acordo com esses relatos, teria desagradado a Dilma - que já se desentendeu no passado com o executivo, por exemplo na montagem do PAC, do qual a Petrobras é um dos principais motores.

Em conversa ontem com interlocutores, Gabrielli afirmou ter sido surpreendido pelos rumores de que Dilma teria a intenção de substituí-lo. Ele garantiu a políticos que o procuraram que não tem intenção de deixar o cargo para concorrer à prefeitura de Salvador, considerada problemática. Na Bahia, fontes próximas à administração estadual também descartaram essa hipótese.

O executivo, ligado ao PT, disse que jamais mencionou tal plataforma eleitoral a qualquer pessoa. Gabrielli afirmou em conversas, no entanto, que o cargo na Petrobras é da presidente e é ela quem decide.

Gabrielli é opção do PT para suceder Jaques Wagner

Gabrielli é considerado, sim, uma opção petista à sucessão do governador da Bahia, Jaques Wagner. Já especulou-se que poderia ficar metade do mandato de Dilma na Petrobras e depois ir para uma secretaria no governo baiano, a fim de viabilizar uma candidatura em 2014.

O presidente da Petrobras comentou que é "estranha insistência" dizerem que ele e Dilma não se gostam. Segundo interlocutores, Gabrielli argumentou que os dois são pessoas de personalidade forte, que podem divergir em alguns temas, mas que se admiram.

Em conversa telefônica informal, Gabrielli negou a Wagner que tenha pretensão de ser candidato a prefeito de Salvador.

Apesar dos desmentidos oficiais, fonte próxima às negociações políticas para os cargos do segundo escalão informou que Luciano Coutinho continua sendo um candidato à presidência da Petrobras. Mas que o assunto só voltará a ser tratado após 17 de fevereiro, quando haverá eleições para as presidências da Câmara e do Senado.

Os rumores da troca na presidência da Petrobras circularam ontem no mercado financeiro, mas, segundo analistas, não houve impacto na oscilação das ações. Petrobras PN (preferencial, sem direito a voto) avançou 2,76%, para R$27,90, enquanto a ordinária (ON, com voto) ganhou 3,18%, a R$31,47. A alta foi puxada pelo otimismo com o cenário externo da economia. A avaliação é que, se houver alguma influência nas ações, será negativa, já que uma mudança na administração nem sempre é vista com bons olhos.

- Os rumores da saída de Gabrielli e da chegada de Coutinho circularam no mercado. Isso não ajudou nem desfavoreceu os papéis - disse o economista-chefe da Legan Asset Management, Fausto Gouveia.

Analistas do setor acreditam que não é o melhor momento para uma alteração no comando da companhia. Lucas Brendler, da Geração Futuro, diz que uma mudança pode modificar a prioridade dos projetos ligados ao pré-sal, atrasando o cronograma de investimentos. Mesma opinião tem Erick Hood, da SLW.

- Apesar de a empresa ter tido bom desempenho nos últimos anos, os resultados ficaram abaixo das metas. É o caso da produção, que ficará em dois milhões de barris por dia, contra expectativa de 2,100 milhões diários - destaca Brendler.

Hood destaca ainda que os gastos e as despesas da estatal têm se mantido acima das expectativas. Por outro lado, a empresa mostrou forte crescimento desde 2003, quando registrou lucro líquido de R$18 bilhões. Para este ano, é esperado ganho de R$33 bilhões.

COLABORARAM: Mônica Tavares, Bruno Rosa, Lucianne Carneiro e Paixão Barbosa, da Agência A Tarde

SABESP ABRE COMPORTAS E ISOLA FRANCO DA ROCHA



Autor(es): Bruno Paes Manso e Paulo Saldaña
O Estado de S. Paulo - 13/01/2011


edida evitou que represa transbordasse, mas manteve centro da cidade submerso


A abertura das comportas da Represa Paiva Castro, uma das quatro do Sistema Cantareira de abastecimento de água, foi determinante para ilhar a cidade de Franco da Rocha, município de 130 mil habitantes localizado na Grande São Paulo. À meia-noite de ontem, a vazão de águas despejadas da represa para o Rio Juqueri, que corta o município, passou de 1 m³ para 80 m³ por segundo, condição que manteve a cidade embaixo d"água.

A decisão, tomada pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), visava a evitar o transbordamento da represa, que no dia anterior havia chegado a 97% de sua capacidade de armazenamento.

"Caso a barragem fosse transposta pela água, como é feita de terra, haveria corrosão e risco de ruptura. A decisão que tomamos foi técnica e está respaldada pelos órgãos reguladores", afirmou ontem o diretor da Região Metropolitana da Sabesp, Paulo Masato.

A chuva começou a castigar Franco da Rocha na noite de segunda-feira. A mesma chuva frontal que atingiu a capital foi suficiente para deixar o município alagado, com o Rio Juqueri cortando a cidade com uma vazão de cerca de 50 m³/s. Nesse momento, a vazão despejada pela represa ainda era de 1 m³/s. Segundo a Sabesp, a Defesa Civil foi avisada que as comportas seriam abertas antes das 8 horas de terça-feira, quando a vazão passou para 15 m³/s.

Com as comportas despejando 80 m³/s de água, o volume do rio mais que dobrou e a cidade ficou submersa. Ontem, às 14 horas, o volume despejado havia caído para 50 m³/s e a previsão era de baixar para 10 m³/s na noite de ontem. "Com essa vazão, o rio volta para a calha", disse Masato. A represa ontem ainda estava 90% cheia.

Tarde demais. Sem gabinete, o prefeito Márcio Cecchetini foi para uma escola municipal. Cecchetini criticou a forma como a Sabesp alertou sobre a vazão. "O aviso veio muito tarde e por telefone", disse o prefeito, que também reclamou sobre a imprecisão do aviso. Cecchetini decretou estado de emergência.

Algumas vias que dão acesso à cidade foram danificadas e os trilhos de trem entre as Estações Franco da Rocha e Caieiras da Linha 7 - Rubi ficaram debaixo d"água, deixando milhares de pessoas sem conseguir chegar a São Paulo. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) acionou um plano emergencial e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) pôs em circulação 60 veículos adicionais entre as cidades.

A água transformou a região central de Franco da Rocha em uma lagoa. Prefeitura, Câmara Municipal e Fórum ficaram totalmente submersos. Pelo menos 15 comércios estavam interditados pelas águas, que encobriam os portões até a metade.

Pelo menos 50 casas ficaram alagadas mas, segundo a Defesa Civil, nenhuma família foi para abrigos. A casa do motorista Otacílio Tavares, de 52 anos, ficou totalmente submersa. "Avisaram que ia subir um pouquinho só, no máximo 1 metro. Levantamos os móveis, mas a água invadiu tudo", disse o morador da Vila Ramos, onde cerca de 20 casas, 1 fábrica e 1 loja de veículos foram atingidas.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que transferiu 90 presas do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico 1, em Franco da Rocha, por causa de dependências alagadas. A água atingiu 2 metros de altura na ala feminina. Elas foram levadas para o Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade

AUSTERIDADE E CÂMBIO NA MIRA DE DILMA



Alan Marques/Folhapress
A presidente Dilma Rousseff e seu ministério, no dia da posse, no Palácio do Planalto: presidente pretende fortalecer as agências reguladoras para que não sejam capturadas, seja pelos interesses do mercado, seja pela força do poder público



Claudia Safatle | VALOR
De Brasília

A presidente Dilma Rousseff vai demarcar, na primeira reunião ministerial, amanhã, as bases da política fiscal do seu governo para cumprir a meta de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) de superávit primário e anunciará que pretende criar em março o Conselho de Gestão em Competitividade, ligado à Presidência, para cuidar da eficiência do gasto público.

No primeiro embate concreto a respeito do gasto público – o valor do novo salário mínimo – ela quer manter uma postura austera: R$ 545. Dilma considera uma grande vitória o governo passado ter conseguido estabelecer uma regra de reajuste para o mínimo em acordo com as centrais sindicais. Avalia como um equívoco querer mudar de forma oportunista a atual regra de correção – pelo PIB de dois anos anteriores e IPCA dos últimos 12 meses – como se chegou a cogitar, para evitar que o reajuste do próximo ano seja de quase 14% por causa da exuberância do PIB de 2010. Com base nesses índices, o mínimo deste ano seria de cerca de R$ 543, Dilma concorda em arredondá-lo para R$ 545 e avisou a alguns de seus ministros que fará um enorme esforço para que o Congresso aprove um valor semelhante a esse para não usar o seu poder de veto.

Na reunião ministerial, Dilma vai avisar que não acatará indicações políticas para as agências reguladoras. Quer preencher as vagas com nomes que sejam especialistas e tenham comprovada experiência nas respectivas áreas. Ela pretende fortalecer as agências para que não sejam capturadas, tanto pelos interesses do mercado como pela força do poder público. A Petrobras tem que temer a avaliação da Agência Nacional do Petróleo, na visão da presidente, assim como a Aneel tem que ser capaz de aplicar multa a Furnas, se for esse o caso. Mas as agências continuarão fora das áreas de definições políticas e de planejamento setorial, funções que permanecerão com os respectivos ministérios.

Falará aos ministros, também, do compromisso de seu governo com a ética e com as práticas republicanas de gestão e vai deixar explícito que tomará as devidas providências quando houver acusações fundadas a participantes do governo.

Dilma vai avisar que não acatará indicações políticas para as agências reguladoras

Nos 11 dias de exercício da presidência, Dilma já expôs a cada um dos seus ministros o que quer. A Edison Lobão, de Minas e Energia, disse que vai olhar com muito cuidado a situação das empresas distribuidoras. Elas vão passar por um processo de restruturação e por uma disciplina de boa governança. Nenhuma das empresas controladas pela Eletrobras terá autonomia para agir de forma individual, disse a presidente. E a própria Eletrobras terá de passar por um novo padrão de governança para ser uma holding do porte da Petrobras.

Ela já cobrou de Lobão, também, a proposta de um marco regulatório para o setor de mineração. Disse a ele que não considera correto que um setor da importância e lucratividade no país como o mineral seja regulado por normas e leis dos anos 50. Dilma compartilhava com o ex-presidente Lula a avaliação que ele fazia, por exemplo, da Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, que retira o minério de ferro do solo e o exporta sem agregar valor. Como exemplo do que considera um absurdo, cita vez ou outra o fato de os trilhos das ferrovias brasileiras serem importados. Esse problema está na raiz do relacionamento conflituoso do governo com o presidente da companhia, Roger Agnelli.

Sobre a questão cambial, uma pedra permanente no sapato do governo, a visão da presidente é clara: não pretende deixar que o Brasil pague uma conta indevida do processo de ajuste das economias americana e europeia. Dilma não vai tomar medidas “estapafúrdias ou mirabolantes” como controle cambial, conforme disse a um ministro. Mas quer que o Banco Central e os ministros da Fazenda e do Desenvolvimento façam o que for possível, dentro das práticas internacionais e de forma sistemática para evitar que o real continue se apreciando em relação ao dólar. Mais medidas macroprudenciais, como as anunciadas na semana passada pelo BC, poderão ser adotadas, desde que se preserve a essência do regime de taxas flutuantes. E novas providências devem ser preparadas para corrigir distorções que acabam por incentivar as importações em detrimento da produção nacional.

Dilma informou ao ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, que não vai patrocinar uma reforma previdenciária. Aliás, seu governo não fará nenhuma reforma que tenha alto custo e dispersão de energia política se não trouxer uma melhoria de curto prazo à economia brasileira.

Assim, em vez de se empenhar na aprovação de um amplo projeto de reforma tributária, a presidente deve optar por três ou quatro projetos de mudança tributária mais fáceis de aprovação pelo Congresso e de repercussão importante para a economia, como o projeto de desoneração da folha de pagamento das empresas.

As primeiras ações da presidente na área fiscal serão as definições do corte de gastos do Orçamento para este ano. Não há, ainda, uma cifra estabelecida. Pode ser um corte na casa dos R$ 40 bilhões. No encontro de amanhã, Dilma vai estabelecer um prazo para que cada ministro faça uma avaliação dos gastos de sua pasta e diga onde pode cortar. Estabelecerá como palavra de ordem do seu governo “fazer mais com menos”. Ela tem convicção de que há gastos excessivos que podem ser cortados e já mencionou os setores que devem ser objetos da tesoura com facilidade: viagens, aluguéis, reformas, carros.

O governo não fará qualquer reforma que tenha alto custo e dispersão de energia política

Como na gestão de uma empresa, ela quer uma meta de redução de despesa por ministério, além do contingenciamento que o governo fará do Orçamento. Cada ministro terá ainda que informar à presidente o que vai fazer com os restos a pagar de sua pasta. À exceção das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), todos os demais gastos a serem pagos com os recursos da conta de restos a pagar podem ser objeto de revisão.

Para fazer mais com menos, será preciso perseguir a eficiência do gasto e esse será o objetivo do Conselho de Gestão. O empresário Jorge Gerdau Johannpeter fará parte desse conselho, cuja função será examinar com lupa a eficiência de cada real gasto com a saúde, a educação e outras áreas importantes do Orçamento.

Dilma sabe que não tem condições de fiscalizar cada pasta de seu governo, cada secretaria ou autarquia para ver se o dinheiro público está sendo bem aplicado ou, ainda, se está havendo corrupção no setor público federal. Mas depois de oito anos trabalhando no governo Lula, ela já tem plena ciência de onde estão os ralos por onde os recursos públicos escorrem e o que fazer para estabelecer mecanismos de controle. “Não quero a virtude dos homens, mas a das instituições”, costuma dizer a presidente.

Impor um grau de eficiência ao gasto é, para a presidente, um dos desafios de sua gestão, ao lado do crescimento do investimento público. Uma das áreas carentes desse atributo é a de ciência e tecnologia. Se não houver uma mudança radical no padrão do gasto público nesse setor, não haverá inovação, segundo conversa que ela já teve com o ministro Aloizio Mercadante. Um exemplo das dificuldades enfrentadas é a falta de doutores e mestres no país, assim como a ausência de empresas que sejam receptoras da transferência de tecnologia.

Dilma quer buscar avanços também na área nuclear. O Brasil tem a terceira maior reserva de urânio e não faz o seu enriquecimento para abastecer as usinas de Angra. Ele vem todo de fora. A presidente tem a intenção de buscar parcerias privadas para a exploração do urânio e estimular a Eletronuclear a fazer o enriquecimento desse mineral. No enriquecimento, não há possibilidade de parcerias com o setor privado, iniciativa que a presidente considera uma loucura.

Na macroeconomia, as conversas nesses primeiros dias de governo são de que o crescimento do país – que deverá ser de 4,5% a 5% ao ano nos próximos anos – não produz crises porque é um crescimento que vem sendo sustentado pelo aumento do investimento. Dados ainda preliminares indicam que o investimento público já seria, em 2010, superior ao do período do governo Geisel, descontando o fato de que muitas empresas estatais foram privatizadas nos anos 90. Isso deve ter resultado numa taxa de investimento na casa dos 20% do PIB no ano passado, o que ocorreu simultaneamente a uma expansão do mercado de consumo de massa.

Como na gestão de uma empresa, a presidente quer uma meta de redução de despesa por ministério

O país vai ter que trocar os pneus com o carro andando, disse a presidente em conversas recentes com ministros do seu governo. Ao mesmo tempo que cresce, terá que providenciar um ambicioso plano de educação para formar técnicos de nível médio, tecnólogos e profissionais de formação mais curta (em torno de 250 horas), como pedreiros, eletricistas e soldadores.

Ao mesmo tempo, garante que vai cumprir uma promessa central da campanha, que é a de erradicação da miséria, e criar portas de saída do Bolsa Família através da formação de mão de obra, entre outras iniciativas.

Na área dos direitos humanos, será criada a Comissão da Verdade estritamente nos termos da lei. Ou seja, caberá à comissão apurar as práticas de tortura durante o regime militar e o desaparecimento de presos políticos. Não haverá retaliações nem qualquer mudança na Lei da Anistia, até por que o Supremo Tribunal Federal já definiu que a anistia é recíproca.

Não há uma visão de que a política externa da presidente Dilma Rousseff trará mudanças substanciais em relação à gestão Lula. O que se admite, no novo governo, é que há uma enorme diferença entre o Brasil de 2003, devedor e dependente do Fundo Monetário Internacional, e o Brasil de 2011, detentor de quase US$ 300 bilhões em reservas cambiais. Há, também, uma grande diferença entre o que era o mundo desenvolvido antes e a crise que vive agora. Os Estados Unidos, por exemplo, aprenderam que não é possível achar que a relação entre dois países é unilateral. Mas se a visão dos EUA sobre o Brasil mudou, também a visão do país sobre os EUA se modificou. Ambos podem ter, hoje, um relacionamento altivo, avaliam colaboradores da presidente.

A respeito de outras questões de política externa, a presidente já adiantou que não será leniente com desrespeitos aos direitos humanos e considera impossível o Brasil não se envolver nos temas relacionados com os conflitos no Oriente Médio.

Ela procurou saber no Itamaraty sobre as razões pelas quais o governo do Irã proibiu toda a obra do escritor Paulo Coelho, em decisão recente. Ouviu da diplomacia, em resposta, que foi uma ação do presidente Mahmoud Ahmadinejad contra a editora dos livros e não contra a obra do autor brasileiro.

Outra grande indagação é sobre qual será a relação de Dilma Rousseff com os movimentos sindicais, sobretudo tendo como parâmetro a convivência do ex-presidente Lula com as lideranças do mundo sindical. A perguntas dessa natureza, a presidente responde com tranquilidade: será uma convivência muito boa, até porque ao contrário do que ocorreu com Lula – que não teve apoio de todas as centrais na primeira eleição, em 2002 – com Dilma a adesão foi unânime.

Quanto aos demais movimentos sociais que, às vezes, criam constrangimentos para o governo, tais como as ameaças de invasão de propriedades que são feitas pelo MST, a presidente já fez uma reflexão sobre o assunto. Para ela, quem ameaça sabe que pode sofrer consequências.